domingo, 15 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dia 5 - 18 de outubro


Um dia estressante, por conta da fila no café da manhã no hotel, do "gerente" arrogante do serviço de alimentos e bebidas, a conexão da internet que não estava disponível na noite anterior...
Sabe aquela coisa de piada?
"Tem conexão de internet?"
"Tem... mas não funciona..."
Ora... ou tem, ou não tem...
A simpatia do bilheteiro do castelo de São Jorge, no alto de uma colina da parte antiga da cidade, compensou. Não havia desconto para professores, mas ele fez os dois bilhetes pela metade do preço, por consideração. Em contrapeso, encontrei duas senhoras mal humoradas no balcão de ingressos do claustro da Sé de Lisboa. Lá não teve conversa, nem sorriso. Desconto pra ninguém.
O pior estava por vir: o escândalo da bilheteira da estação fluvial do Cais de Sodré, que foi a gota d'água para eu não mais ter vontade de voltar a Lisboa.
Antes de subirmos ao castelo, o primeiro roteiro do dia, quase pegamos um tramway para Belém, pois achávamos que ele fazia o percurso que procurávamos. É tudo muito sem informação em Lisboa, sem placas, sem sinalizações para turistas... Você tem o tempo todo de ficar procurando o motorista e perguntar pra onde vai, onde fica, quanto tempo dura... Muito chato isso.
Resolvemos subir andando pela Alfama, entre ruelas, vielas, escadas e roupas penduradas em varais... Cansa bastante a subida costurada.
O castelo vale à pena. É bonito, é agradável, a vista é linda e, ainda por cima, conheci a famosa (para mim) Torre do Tombo, algumas vezes falada nos estudos de Literatura Portuguesa, hoje chamada Torre Ulisses. Era lá que por muito tempo os documentos importantes do reino foram mantidos. E as oliveiras, árvores maravilhosas, carregadas de azeitonas, as quais pisávamos tantas vezes... Custei a acreditar. Azeitonas pretas e verdes... Que dó, rsss...
Tiramos também fotos do bairro da Mouraria, célebre nos fados, vimos mais uma vez o Tejo ao fundo, competindo com outros turistas por um lugar na murada do castelo para uma boa foto...
Fizemos em seguida a Sé de Lisboa, visitei a igreja e a cripta da igreja de São Francisco de Lisboa, seu museu sacro (uma das igrejas mais abençoadas da Europa, com certeza), e pegamos um dos tradicionais bondinhos (eléctricos) amarelos para descermos até a praça do Rossio. Ainda deu pra dar uma espiada na igreja de São Domingos, procuramos a internet e, enfim, fomos lanchar próximos à margem do Tejo, no Cais do Sodré.
As igrejas de hoje, com exceção a de S. Francisco, me deixaram deprimido, juntamente com as tantas grosserias das pessoas... Ainda assim, recomendo que visitem o claustro da Sé, pois é muito interessante, cheio de escavações...

Quem for a Portugal, fique de olho no Pingo Doce. É uma cadeia de supermercados que existe em todo lugar. Tudo ótimo, de preços bons, produtos diferentes, com grande variedade. Por favor, desconsidere a rudeza dos portugueses que forem atendê-lo nos balcões deste supermercado e pense nas gostosuras que comerá... Sim, eu também fui mal atendido nos supermercados!

Eu fiz toda a lista dos produtos que comprei nos supermercados, mas tá ficando muito chato digitar tudo... Prefiro deixar algumas sugestões, para as pessoas terem ideia, em vez de escrever tudo o que comprei. Assim, ninguém também me chamará de guloso.

Só para terem uma noção... Um pacotão de batata chips no Pingo Doce sai por 49 centavos! Muito mais barato do que no Brasil; 4 pães de sal (que eles chamam de "brasileiros") custam 64 centavos; 1 kg e 600g de peras custou 59 centavos!!! E por aí vai...

Castelo de S. Jorge: 5 euros
Claustro da Sé: 5 euros (não vale, em comparação com o castelo, mas tem de ir...)
Museu da Ig. de Sto. Antônio: de graça!
Barca ida e volta, atravessando o Tejo: 4,24 (para 2 pessoas). Fomos até uma localidade pertencente à cidade de Almada, onde um homem tocava muito mal uma gaita de foles... Que tédio... Demos uma voltinha e pegamos a barca de volta...
(Foto: uma das torres do castelo de S. Jorge)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dia 4 -17 de outubro


Na noite anterior chegamos à Lisboa. Pegamos um trem confortabilíssimo, com serviço de bordo, aquecedor, fazendo uma média de 200 km/h... Porto - Lisboa. Duas horas e meia depois, lá estávamos nós, na estação Apolônia, em uma cidade que se mostrou muito, mas muito diferente mesmo do Porto... Se eu soubesse o que me aguardaria, teria ficado mais no Porto, local de onde senti muitas saudades...
A começar pela chegada, quando descemos de metrô na estação Marquês de Pombal e fomos arrastando a mala de rodinhas por entre ruas escuras e desertas, sem ninguém sabendo informar onde ficava nosso hotel, o Jorge V, a 3 quadras de onde estávamos. Vi, sim, um homem estranho com um cachorro vindo em nossa direção (depois me disseram que estes são os mendigos perigosos da Europa... os que andam com cães...). Vi muita coisa. Até taxista, que em Lisboa não faz corrida curta nem que se pague em ouro...
Dormimos em um quarto um pouco melhor do que o do Porto, mas com banheiro minúsculo. A TV era melhor, mas os programas de mais qualidade eram as novelas brasileiras (da 8 e das 6, a Paraíso)...
O café da manhã era melhor do que o do hotel do Porto... mas, uma estranha rotina nos aguardava. É que o salão do café não tinha número de mesas e cadeiras suficiente para o número de hóspedes! Assim, todos os dias fazia-se uma fila, na qual se aguardava pelo menos 15 minutos para se conseguir uma mesa, limpa às pressas por um estressado garçom. O mais patético da história é que exatamente ao lado do salão de café, havia um salão de TV, separados por um biombo. O salão de TV possuía amplas poltronas, um aparelho televisor gigantesco e... quase ninguém assistindo. Muita falta de inteligência, a meu ver, deixar os hóspedes em situação tão constrangedora no café da manhã para, por outro lado, colocarem uma sala absurdamente desnecessária e tão grande logo ao lado. O pior foi o dia em que encontrava um prato sujo atrás do outro, e ainda por cima molhado. Veio até mim um rapaz que parecia ser o gerente do local e me disse que não havia nada sujo. Daí mostrei para ele uns 2 dos numerosos pratos sujos e úmidos. Ele, com cara de tacho, mas irrelutante, ainda argumentou: "calma!". Pois naquela hora ele se flagrou brasileiro. Brasileiro, e já grosseiro. Aprendeu logo, né? Pois é... Por essa e outras eu não recomendo a ninguém o hotel em que fiquei em Lisboa.

No nosso quarto dia na Europa, fomos à região de Belém. Pra começar, pegamos o autocarro (ônibus) no sentido contrário e ninguém nos disse nada... Aí começaram os atropelos e mal entendidos em Lisboa... Ônibus 747... e duas senhoras turistas alemãs de quebra, meio que "dependuradas" em nossas informações... Uma delas bem chata, quase arrogante... livramo-nos logo delas assim que descemos na região de Belém...
Daí fizemos o seguinte roteiro:
- Monumento dos Descobrimentos;
- Torre de Belém;
- Mosteiro dos Jerônimos;
- Museu Nacional de Arqueologia...
Depois, no final da tarde, fomos à Praça do Rocio com Thiago, um brasileiro que conhecemos no ponto de ônibus. Aliás, esta tal praça não teve nada de interessante, ao contrário do que diziam os guias impressos. Pelo contrário... muitos imigrantes e pessoas "sem ocupação definida" se aglomeravam, num burburinho suspeito. Por lá jantamos... Comi um bacalhau a Braz na Rua dos Correeiros, local em que os ciganos romenos ofereciam haxixe aos turistas europeus na cara dura! Foi lá também que encontrei um mendigo bilíngue, na faixa de uns 30 e poucos anos... dizia-se carioca da gema, e levantava uma perna com uma cicatriz a todos, pedindo uma ajuda em euros, ou mesmo um cigarro...

Realmente Lisboa não me reservou experiências muito interessantes, mas tenho de confessar que a Torre de Belém valeu a resmunguice da capital lusitana. Antes dela, no Monumento dos Descobrimentos, subimos de elevador para apreciarmos a linda paisagem, os iates do cais dos que têm grana, a ponte que cruza o Tejo e seu modesto Cristo Redentor do outro lado... E, ah, o Mosteiro dos Jerônimos do outro lado de nosso mirante, maravilhoso, alvo, impávido.
A Torre de Belém é experiência única. Local para se deliciar com a subida a todos os andares, entender como ela era, para que foi criada, e o que acontecia de importante lá dentro. Que monumento magnífico! Demoramo-nos muito nela.

Aliás, há muitas escadas em caracol para subir até o alto da torre... como muitas outras existiram por toda a Europa... Chegamos a subir mais de 700 escadas de uma só vez em um dos dias de visita a Paris (contarei mais adiante)...

No Mosteiro dos Jerônimos, passando pela casmurrice da vendedora dos bilhetes - que achava que eu, por ser professor brasileiro de um estado que ela não conhecia!, não merecia entrar de graça -, respirei fundo e me entreguei ao mosteiro. Belo, gótico, exótico, com suas "gárgulas" quiméricas e sua maravilhosa igreja. Esplendor, delírio e encanto ao mesmo tempo. Foda-se a casmurrice desses lisboetas, Deus meu, pois meu passeio vale bem mais do que isso... Nós, brasileiros, pagamos caro para visitar a Europa. Aliás, pagamos quase 3 vezes o que comemos e compramos. É tudo muito sensato: um café a 2 euros sai a quase 6 reais. Não tenho coragem... Daí não podemos nos estressar com gente infeliz...

Eu digo hoje: tem-se de ir a Lisboa (não precisa se hospedar na cidade) para se visitar a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o Castelo de São Jorge. Isso se faz em um dia. Depois, você pode cair fora e ir curtir Óbidos ou outro lugar de gente mais... espairecida.
(Foto: Torre de Belém ao crepúsculo)

Dia 3 - 16 de outubro

Tem de subir e passar pelo alçapão para se atingir a torre...

Dia 3 - 16 de outubro


PORTO - GUIMARÃES - PORTO


Nunca me esqueço da beleza daquela viagem de trem do Porto a Guimarães, escutando músicas portuguesas no fone de ouvido e vendo as infinitas vinhas e plantações de couve-manteiga nos fundos dos quintais das pequenas quintas... Como foi tão Sul de Minas Gerais, como foi tão amalgamada aquela experiência...

Guimarães, berço da língua portuguesa, de nossa pátria primeira, patrizinha tão querida... chegou aos meus olhos em um dia de azul profundo...

Uma cidade que ainda mantém em seu centro histórico um estilo medieval intramuros, coroada pelo maravilhoso Castelo de Guimarães em sua colina, tão primitivo e forte quanto nossa gente original, quanto o bravo D. Afonso e todos os demais que carregamos no sangue.

Foi em Guimarães que pude visitar o Paço dos Duques de Bragança, algumas das capelas dos passos da Paixão, a Rua de Santa Maria, passando em frente ao Convento de Santa Clara, Praça Santiago, Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o Padrão do Salado (um alpendre gótico) no meio de sua pracinha... Antigos Paços do Concelho, Casa da Rua Nova, Igreja da Misericórdia, Palácio e Centro Cultural Vila-Flor... Mas meu encanto mesmo foi o castelo...

Ah, que castelo de contos de fadas heroicos, de sagas, de pelejas, de andanças de cavaleiros... Como foi mágico aquele lugar! Que lembranças suaves do trovadorismo, das cantigas de gesta, das canções de amigo...

Um castelo quase todo meu, tão vazio estava. E, no fim, sua torre misteriosa e forte, como uma árvore antiga, com uma escadinha treme-treme de madeira conduzindo-nos, quase que arrastando, à portinhola que dava acesso ao cume, o ponto mais alto, aberto e ventoso, daquela torre tão primeira.

Que saudade daquele castelo e daquela Guimarães que viu brotar, há mais de 800 anos, como água da pedra, a linda e áspera língua que o tempo faria se adoçar...

Dia 2 - 15 de outubro


PORTO - BARCELOS - PORTO


Barcelos é um encanto, com seus azulejos dentro de igrejas, as ruínas de seu paço, seus infinitos galos representados no artesanato, suas lendas, sua feira local (fomos na quarta-feira, único dia da feira; demos muita sorte!), onde até coelhos são encontrados (vivos, mas para serem comidos, coitadinhos). Na feira se vende de tudo que vem do campo naquela região, além de utensílios e roupas. Tripas ficam expostas para quem for fazer chouriço e vários tipos de couve são vendidos, inclusive a linda couve-coração.

Mulheres viúvas e mulheres ciganas com suas vestes pretas. Esta cidade delicada, que muito de minha terra em Minas me mostrou, é um dos redutos dos Vilas Boas, juntamente com a cidade de Amarante. A cerâmica cor de tijolo com pintura branca compõem peças bem típicas do artesanato.

Em Barcelos, também visitamos o templo do Bom Jesus da Cruz, com a misteriosa cruz em terra negra e uma imagem escura de Cristo esculpida, que nunca foi retirada da igreja. Dizem os devotos que, se tentarem fazê-lo, a imagem cresce tanto que não passa pela porta. Por isso ela possui uma réplica, que sai nas procissões. Há nesta igreja azulejos retratando figuras sacras, mas tais figuras têm 6 dedos nos pés (o artista provavelmente tinha polidactilia).

As ruínas do paço dos Condes de Barcelos me encantaram e me trouxeram um sabor primevo de Idade Média. Lá, encontrei símbolos templários e de práticas de magia entre os túmulos e a estatuária. Ao lado, ainda há um pelourinho.

A igreja Matriz também foi visitada: românica, gótica, barroca, repleta de azulejos. Um contraste que incomoda mas, sobretudo, algo inusitado. A bem próximo, o Solar dos Pinheiros, um casarão com a figura da cabeça de um homem ao alto (chamado de "o Barbadão").

A Torre da Porta Nova era uma das entradas da vila no século XV, fazendo parte de uma muralha que não mais existe.

Também fiquei admirado com o cruzeiro do galo, onde a lenda do galo de Barcelos (muito longa para eu contar aqui, mas provavelmente sairá em um de meus livros) pode ser de alguma forma revivida. Também vimos a casa do condestável Dom Nuno Álvares Pereira, revivemos a lenda de Dom Dinis e Santa Isabel com as rosas que saem de seu vestido (outra lenda que não dá pra contar aqui)... Todas referências de quando eu lecionava Literatura Portuguesa...

No final da tarde, pausa para um chá com éclair de violeta (a flor!) e chocolate com limão.

Ah, que saudade de Barcelos. Uma cidade onde certamente voltarei...


Mas o dia ainda não tinha terminado. A guia deixou eu, Fred e Ilmara para admirarmos o pôr-do-sol do rio Douro em sua foz, tomando caldo de legumes e comendo pãezinhos em um agradável restaurante à beira-mar.
(A foto é do Paço dos Condes de Barcelos.)

Dia 2 - 15 de outubro


PORTO - BARCELOS - PORTO


Dia riquíssimo. Passamos pela ponte D. Luís I a pé, subimos até a Igreja de Santa Clara, descemos pela Muralha Fernandina e fomos experimentar o funicular dos Guindais. Usamos o andante para pagarmos este meio de transporte. Uma senhora simpaticíssima nos guiou até o elevador na superfície que dava acesso ao funicular. Esperou pegarmos o elevador e ainda abanou a mão.

Feita a descida pelo funicular, caminhamos pelo Cais da Ribeira, descobrindo seus encantos e recantos. Compramos algum artesanato (1 bandeira de Portugal por 1 euro, e dois panos de mesa por 2,50 euros cada) e continuamos pela margem do Douro, apreciando as barcas dos pescadores. Quis entrar na pequenina Capela do Ó, mas me deparei com um velório acontecendo lá dentro e saí à francesa. Pegamos a rua das Reboleiras e fomos até a linda e barroquíssima Igreja de São Francisco. Lá também pudemos visitar o seu Museu Sacro e suas enormes catacumbas. Confesso que não gostei muito da experiência, pois ficamos literalmente rodeados de gavetas tumulares por todos os lados, ao mesmo tempo em que pisamos em lápides. Lembrei-me de alguns filmes de terror.

Na saída, pensamos em pegar um bonde, que em Portugal chamam de eléctrico. Mas os bondes de greve. Porem, é exatamente nesses imprevistos da vida que conhecemos pessoas interessantes. E foi assim que o simpático casal de franceses Philippe e Marie France foram por nós encontrados, com a mesma dúvida quanto ao bonde. A conversa se estendeu até um café, onde eles nos pagaram o consumo, e ainda por cima nos convidaram para em uma próxima viagem nos hospedarmos em sua casa, no centro da França.

Em seguida, pegamos o métro, descemos no Minipreço, compramos um lanche.

mortadela: 0,79

4 croissants: 0,99

1 garrafa de 5 litros de água: 0,94

3 sacolinhas: 0,09

1 vidro de xampu: 1,19

Sim, nós tínhamos café da manhã no hotel, mas nossa intenção, durante toda a viagem de 26 dias, seria economizar no almoço e jantar.


Às 14 horas estávamos de volta ao hotel, quando a simpática guia Marta (mvm@netcabo.pt; recomend0-a a todos os que forem para o Norte de Portugal) nos pegou em uma carrinha (nome que dão à van). Iríamos a Barcelos, um dos pontos altos da viagem, cidade que é polo ancestral de minha família (Vilas Boas), junto a algumas outras. Na van, além de nós, iria Ilmara, de Belo Horizonte, uma colega muito animada, com quem pudemos conversar bastante.


Eh Barcelos? Ah... que encanto... Na próxima postagem você lê...


(A foto é de uma das pinturas no Museu Sacro da Igreja de S. Francisco, no Porto...).