
RENNES - MONT SAINT-MICHEL - RENNES
2 bilhetes de ônibus (ida e volta) para o Mont Saint-Michel: 44,40 euros
Dia que amanheceu com neblina forte em Rennes. 9 graus. Acordamos, tomamos o café da manhã e fomos para a Gare Routière (estação rodoviária), ao lado da Gare de Train. O ônibus sairia às 11:35). Quando chegamos, ninguém na estação esperando coisa alguma. Esperamos, esperamos, esperamos... Chegou uma chinesa perdida com quem tentamos trocar meia dúzia de palavras sobre o ônibus. Daí foi chegando aos poucos mais gente e consegui informação de uma senhora do sul da França (Tarbes), despojada e desinibida, que me disse que haveria 2 ônibus e conseguiria o lugar, sem problemas (não se compra bilhete antes). Daí indaguei o motivo da demora para o ônibus chegar. Foi quando ela lembrou que o horário de verão tinha terminado e ganhamos uma hora a mais!
Quando o ônibus chegou, formou-se uma enorme fila de orientais (quase a totalidade dos passageiros).
A paisagem de Rennes ao Monte, cortando a saudosa Bretanha, é belíssima, da ordem das mais lindas que já vislumbrei nesta encarnação. Campos de lavanda de um lado, campos de uma florzinha amarela do outro, nos cortejavam, quando não eram as árvores outonais com tons amarelados e avermelhados. Vacas, cavalos, gansos, plantações que pareciam de batata... De vez em quando, vilarejos com arquitetura bretã, cenário de filme, puro sonho.
Quando chegamos ao Monte, 1 hora e 20 depois, aproximadamente, o céu, ainda um tanto nublado, se abriu, e o céu sorriu para o mar, com aquela joia erigida em uma ilha que às vezes se une à terra: o Mont Saint-Michel. Sem dúvida alguma, o monumento isolado mais lindo de toda a viagem (claro, porque Paris é linda em tudo, no conjunto, imbatível). A primeira imagem que tive do Monte nesta vida eu jamais esquecerei. Tirou-me o fôlego. Emociona. É sem preço. Recomendo fortemente a todos os que forem à França que não deixem de ir lá.
Hoje, tudo é mais fácil com o TGV. Se você estiver em Paris, há um TGV que com 2 h e 10 minutos chega a Rennes, casando com o horário do ônibus, que sai de graça. Basta apresentar o bilhete do trem ao motorista. Vai e volta no mesmo dia. Imperdível.
Mont Saint-Michel: uma cidadela sobre um rochedo cercada de areia (pegamos a maré baixa, a maior da Europa), com uma abadia no topo, sua magnífica torre e seu São Miguel dourado sobre o ponto mais alto da torre.
Em volta, nos pastos, lindas ovelhas de rosto negro pastam honrosamente sua visão do Monte. Abençoadas foram.
Confesso: as lojas e restaurantes são caríssimos. Claro, só tem o que comer dentro dos lugares estabelecidos nas ruelas do Monte. Em volta não tem nada perto. Para se visitar a abadia, paga-se 8 euros. Não quis, definitivamente, tamanho o número de turistas apinhados em tudo quanto era espaço vazio dentro da tal abadia. Sobretudo orientais, com suas irritantes máquinas fotográficas, que tudo registram e nada veem.
Tínhamos levado lanche, mas fiquei com sede e paguei 2,50 euros por 1 água Evian pequena.
Sobrou muito tempo. Além de percorrermos as vielas, a igrejinha de São Miguel, admirarmos a bela estátua de Joana d'Arc, passarmos pelo cemiteriozinho, pela muralha, fomos contornar, pelo lado de fora, o Monte. Em alguns lugares a areia atola mesmo e há avisos de areia movediça. Foi lá, entre uma pedra e outra, que achei meu souvenir: uma pequena pistola d'água de menino... talvez um menino já velho há 100 anos... De onde teria vindo aquele brinquedo: de um francês bretão, normando ou dos garotos ingleses do outro lado do canal?
A cidadela é toda um retorno ao passado. O que tira o encanto é o extremo de turistas. Era domingo. Tente ir em outro dia. Há muitas escadas para serem subidas... e descidas, e kits de reanimação cardíaca em alguns pontos estratégicos. Vê-se isso em vários locais turísticos da França, onde se deve subir muitas escadas.
Foi lá no Monte, vendo o entardecer sob a linda bandeira tricolor sobre minha cabeça, que tive mais uma daquelas certezas íntimas - segurança funda - de que já estive tantas vezes por aquelas terras, cuja paisagem aliviou a estranha nostalgia que desde menino trazia comigo de um país que eu conhecia, mas no qual jamais pisara.
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