
RENNES - PARIS
Levantamos às 5 horas da manhã...
Não havia horários mais tarde de trem para Paris a não ser 6:35 da manhã! Saímos do hotel de táxi (8 euros). Tomei um suco de laranja em pé, enfiei um pequeno croissant nobolso, mas na hora de comê-lo, ele veio com sabor de areia do Mont Saint-Michel, rsss. Em breve percebi que carregava um pouco do Monte dentro de mim.
Tempo de viagem até Paris: 2h10' min em TGV. Não precisa nem dizer que o trem era confortável, elegante, silencioso, chique... e tudo o mais. Fomos de primeira classe, pois nosso bilhete dava direito. Tomei um chocolate quente a bordo (2,50). Ah, o trem atrasou na chegada: monstruosos 7 minutos! E ainda tem quem reclame, acredita?
A Gare Montparnasse, em Paris, foi u choque para mim de tanta gente: um mar de pessoas bem apressadas, cheias de malas, arrastando-as como podiam pelas escadas (nem sempre havia escadas rolantes). Banheiro: 50 centavos.
Mas eu estava feliz. Muito. Paris é o sonho de muita gente. O meu era há muito tempo. Já fazia quase uns cem anos que não pisava por lá e achei tudo tão diferente, rss... (uma hora me peça pra contar essas coisas).
Fomos procurar o metrô, direção Porte Clignancour, linha 4. Um labirinto de corredores, escadas (rolantes, normais, ambas) e esteiras. Era cedo demais para chegarmos ao nosso apartamento, que ainda estava recebendo limpeza. (Ah, sim, em Paris alugamos um apartamento em Montmartre, aos pés do Sacré-Coeur... Nunca mais pago hotel quando for viajar mais de 5 dias para algum lugar. Posso lhe dar todas as dicas, é só me pedir).
Como tínhamos tempo, decidi que desceríamos na estação Saint-Michel, que tem várias saídas. Escolhi a que dava vista para a catedral de Notre-Dame. Fomos ao café Le Petit Pont, a primeira impressão parisiense, e pedimos 1 combo com 1 chocolate quente, 1 croissant e 1 suco de laranja (6,50 por pessoa).
Paris vale cada pedaço. Cada ruela. Cada viela. Cada escada. Cada ponte. Cada monumento. Cada olhar. Paris vale tudo. Não adianta: é a cidade mais bonita do planeta Terra, e pronto. Doa a quem doer. É linda, é elegante, é delicada, é chique, é exótica, é tudo ao mesmo tempo. Paris é o coração geográfico de minha vida. Sempre foi, desde que me conheço por gente. E andei por lá como se já a conhecesse de há muito. Cada passeio foi uma escolha cuidadosa entre paisagens que permanecem muito semelhantes por décadas e séculos.
Descemos na estação Château Rouge com a pesada mala (dividimos a mesma por comodidade). Eu tinha certeza de que aquela seria a última vez que arrastaríamos aquele trombolho pelas escadarias, corredores e ruas da Europa. Foi o que me consolou.
O apartamento ficava em um edifício construído em 1753, muito bem conservado, absolutamente parisiense, na mesma região em que filmaram "O fabuloso destino de Amélie Poulain".
Escolhi Montmartre por uma verdadeira atração que tenho por este lugar. Havia apartamentos mesmo com vista para a Notre-Dame, mas sabia que Montmartre seria especial.
Dentro do apartamento: aquecedores (até no banheiro), cozinha prática, com micro-ondas, fogão elétrico, água quente, torradeira, uma despensa previamente abastecida pelos hóspedes anteriores, tv a cabo, rosa na jarra, aparelho de som, uma decoração absolutamente parisiense... A água do prédio pode ser bebida diretamente da torneira (como em toda a França), e mais ainda lá, pois trata-se de uma água mineral vinda da colina do Sacré-Coeur, tão pura quanto a água dos Alpes, e igualmente deliciosa.
Foram 2 semanas vivendo como parisiense. Discretamente oculto de minha tarja de turista ao parecer, antes de mais nada, mais um imigrante. E foi essa discrição que tanto me apaixonou ao estar em Paris.
Ao entardecer subimos para vermos a cidade do Sacré-Coeur. Entramos na basílica, que é esplendorosa. Assentamo-nos nas escadarias du Sacré-Coeur e fomos admirar a velha cidade. É emocionante. A gente fica sem respirar, não sabe o que olha... Os céus entrecortados de aviões, com suas marcas de fumaça, e eu pensando: felizes os que cortam os céus de Paris.
Fazendo valer aquela expressão "mundo pequeno", encontramos nas escadarias um casal de amigos que conhecemos em Portugal.
Ah, souvenirs... Pra quem gosta, já vou avisando. Eles são caros na França. Existem umas ruazinhas no pé da colina do Sacré-Coeur repletas de souvenirs... e turistas. 11 chaveirinhos da Torre Eiffel, em metal prateado ou dourado, saem por 5 euros. É a única bagatela que existe. No mais, tudo custa na faixa de 3 euros (1 ímã de geladeira). Disso pra cima. Sempre.
Compramos um cartão telefônico para falar no Brasil por 7,50 euros. Mas é possível encontrar alguns por 5 euros. Dizem que dá para falar 45 minutos, mas acredito que seja menos.
Eu me senti mal ao ser perseguido por um imigrante africano no pé da colina, o qual queria me vender alguma coisa. Este é um truque que todos conhecem por lá, mas é bom enfatizar. Você está tranquilamente caminhando pelas ruas de Montmartre quando um simpático africano aborda você, amarrando algo em seu braço. Geralmente, uma pulseirinha, dizendo ser um presente. Depois, ele vai pedir dinheiro. 10 euros, 5 euros... etc. E a forma como ele e os amigos dele lhe pedirão dinheiro vai lhe fazer sentir constrangimento e medo.
De cara eu disse que não, não queria comprar nada, mas ele insistiu e foi atrás. Só escapei pegando o funicular para subir a colina.
Este tipo de comportamento com turistas é muito desagradável.
O susto foi compensado pela primeira visão da Torre Eiffel, que estava oculta à direita, atrás de uma árvore. Sim, gloriosa, porque peguei os 10 minutos a cada hora em que ela pisca prateada. "La vieille dame"...
(Foto: Sacré-Coeur)
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