
LISBOA - TOULOUSE
A manhã foi para acordarmos mais tarde, tomarmos café da manhã com calma e arrumarmos as malas. Meio-dia e meia pegamos um táxi e fomos para o aeroporto de Lisboa. O taxista, antes mesmo de nos ajeitarmos devidamente no carro, já advertiu, com falsa polidez: "favor não bater a porta". Chato, não é?
No aeroporto também presenciei uma portuguesa na área de checagem das bagagens que só faltou meter a mão na cara do senhor que se recusou a deixar os frascos de perfumes e material de fazer barba que tinham ultrapassado a quantia mínima. Ela realmente se destemperou e excedeu.
Naquela hora, eu já estava aflito e ansioso para deixar Lisboa...
O voo foi maravilhoso, uma hora e meia aproximadamente, sobrevoando uma Espanha nublada que descortinou, na altura dos Pirineus, suas nuvens para que a França se anunciasse.
Nunca esqueço, ó, deuses, o presente de ver minha amada França pela entrada dos Pirineus, a graciosa cadeia montanhosa que a separa das terras espanholas, cobertos de neve eterna em vários picos. Naquela hora, abri um sorriso e esqueci por completo as agruras das experiências em Lisboa. Esqueci-me da ansiedade do voo de avião, esqueci-me dos problemas.
As primeiras imagens, após os Pirineus, foram de uma colcha verdejante, em tons variados, de retalhos de pastos e plantações... Terra plana, linda e fértil, como é fértil a história e o sentimento que povoa o povo de meu querido país...
Que facilidade no aeroporto de Toulouse. Apenas pegamos as malas e já saímos, pela primeira porta. Tomamos um táxi até o hotel (22 euros) e nos alojamos em nosso apart-hotel maravilhoso, novo, elegante e prático. Uma cozinha encantadora, onde pude preparar jantar e café da manhã... Um banheiro incrivelmente bem bolado e a vista panorâmica da amável Toulouse, a cidade rosa.
Mas vamos a alguns detalhes práticos. Alguns hotéis da França (isso está se tornando lei) cobram a "taxa de habitação", um valor por dia de hospedagem. No nosso caso, deu 5,40 euros para 2 pessoas.
Quando saímos do hotel em busca do metrô, fomos por uma linda rua margeada por uma ciclovia, pela qual passavam pessoas bem agasalhadas, já no frio da noite do Sul outonal, mas sem preocupação nenhuma, como se a palavra "perigo" ou a palavra "violência" não existissem...
Porém, já eram oito da noite, tudo estava fechado, pois na época do frio as pessoas voltam mais cedo para suas casas. Foi por isso que o gentil argelino Asiz, que guardava a catraca do metrô, me aconselhou a não me aventurar pelo centro da cidade. Até porque - e ele bem lamentou - existem vários imigrantes da África que visam aos turistas desavisados. É o ato criminoso do "pickpocket", palavra usada por todo o país. Significa "batedor de carteira", talvez uma das mais graves violências naqueles rincões de paz e conforto.
Durante uma hora ficamos conversando em bom francês naquela catraca, ele de um lado e eu do outro. Todo o bate-papo começou porque não tínhamos moedas para comprarmos os bilhetes do metrô (não havia bilheteiro, apenas máquinas). E as máquinas não aceitavam notas. No final da conversa, quando ele já me admirava pela minha história e formação, ele foi lá me dizendo:
"pode entrar de graça, pois eu admiro pessoas como você que vêm de um país mais pobre, mas conseguiu estudar... eu não consegui, infelizmente...".
Mas recusei o convite. Fiquei inseguro em caminhar à noite pelo centro. Voltamos para o hotel, que não ficava assim tão perto do metrô. O frio piorava.
O que comer?
Sobrou-nos a alternativa de uma sopa instantânea que tinha levado do Brasil e de uma geleia de uva, que derreti e transformei em uma espécie de chá... Havia também um restinho de batatas chips. Foi o jantar e o café da manhã do outro dia.
Mas dormimos com a consciência justa, a felicidade de se estar em uma cidade mais amiga, mais alegre, mais Midi.
Dieu merci!
A manhã foi para acordarmos mais tarde, tomarmos café da manhã com calma e arrumarmos as malas. Meio-dia e meia pegamos um táxi e fomos para o aeroporto de Lisboa. O taxista, antes mesmo de nos ajeitarmos devidamente no carro, já advertiu, com falsa polidez: "favor não bater a porta". Chato, não é?
No aeroporto também presenciei uma portuguesa na área de checagem das bagagens que só faltou meter a mão na cara do senhor que se recusou a deixar os frascos de perfumes e material de fazer barba que tinham ultrapassado a quantia mínima. Ela realmente se destemperou e excedeu.
Naquela hora, eu já estava aflito e ansioso para deixar Lisboa...
O voo foi maravilhoso, uma hora e meia aproximadamente, sobrevoando uma Espanha nublada que descortinou, na altura dos Pirineus, suas nuvens para que a França se anunciasse.
Nunca esqueço, ó, deuses, o presente de ver minha amada França pela entrada dos Pirineus, a graciosa cadeia montanhosa que a separa das terras espanholas, cobertos de neve eterna em vários picos. Naquela hora, abri um sorriso e esqueci por completo as agruras das experiências em Lisboa. Esqueci-me da ansiedade do voo de avião, esqueci-me dos problemas.
As primeiras imagens, após os Pirineus, foram de uma colcha verdejante, em tons variados, de retalhos de pastos e plantações... Terra plana, linda e fértil, como é fértil a história e o sentimento que povoa o povo de meu querido país...
Que facilidade no aeroporto de Toulouse. Apenas pegamos as malas e já saímos, pela primeira porta. Tomamos um táxi até o hotel (22 euros) e nos alojamos em nosso apart-hotel maravilhoso, novo, elegante e prático. Uma cozinha encantadora, onde pude preparar jantar e café da manhã... Um banheiro incrivelmente bem bolado e a vista panorâmica da amável Toulouse, a cidade rosa.
Mas vamos a alguns detalhes práticos. Alguns hotéis da França (isso está se tornando lei) cobram a "taxa de habitação", um valor por dia de hospedagem. No nosso caso, deu 5,40 euros para 2 pessoas.
Quando saímos do hotel em busca do metrô, fomos por uma linda rua margeada por uma ciclovia, pela qual passavam pessoas bem agasalhadas, já no frio da noite do Sul outonal, mas sem preocupação nenhuma, como se a palavra "perigo" ou a palavra "violência" não existissem...
Porém, já eram oito da noite, tudo estava fechado, pois na época do frio as pessoas voltam mais cedo para suas casas. Foi por isso que o gentil argelino Asiz, que guardava a catraca do metrô, me aconselhou a não me aventurar pelo centro da cidade. Até porque - e ele bem lamentou - existem vários imigrantes da África que visam aos turistas desavisados. É o ato criminoso do "pickpocket", palavra usada por todo o país. Significa "batedor de carteira", talvez uma das mais graves violências naqueles rincões de paz e conforto.
Durante uma hora ficamos conversando em bom francês naquela catraca, ele de um lado e eu do outro. Todo o bate-papo começou porque não tínhamos moedas para comprarmos os bilhetes do metrô (não havia bilheteiro, apenas máquinas). E as máquinas não aceitavam notas. No final da conversa, quando ele já me admirava pela minha história e formação, ele foi lá me dizendo:
"pode entrar de graça, pois eu admiro pessoas como você que vêm de um país mais pobre, mas conseguiu estudar... eu não consegui, infelizmente...".
Mas recusei o convite. Fiquei inseguro em caminhar à noite pelo centro. Voltamos para o hotel, que não ficava assim tão perto do metrô. O frio piorava.
O que comer?
Sobrou-nos a alternativa de uma sopa instantânea que tinha levado do Brasil e de uma geleia de uva, que derreti e transformei em uma espécie de chá... Havia também um restinho de batatas chips. Foi o jantar e o café da manhã do outro dia.
Mas dormimos com a consciência justa, a felicidade de se estar em uma cidade mais amiga, mais alegre, mais Midi.
Dieu merci!
(Foto: Pirineus, na divisa da Espanha com a França, vistos do avião.)