segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dia 7 - 20 de outubro


LISBOA - SINTRA - CABO DA ROCA - CASCAIS - OEIRAS - LISBOA


Ser tratado com dignidade é outra coisa. Há salvação para o tratamento que dão aos turistas em Lisboa. Claro, verdade seja dita. Foi este dia em que Lisboa obteve - graças a Sintra e ao educado guia - sua redenção comigo, antes de minha partida à douce France.


Tem de ir a Sintra! Tem. E ponto final. Cascais esquece. A não ser que seja verão e você seja muito de praia. Pra quem é brasileiro e tem praias à revelia, não vi nada de mais...


O dia começou com um toró de assustar. Ligamos oito horas da manhã para uma agência nova, que fazia o roteiro turístico que queríamos pelo menor preço (40 euros por pessoa com um lanche açoriano no final e entrada incluída na Quinta da Regaleira). As outras cobravam, em média, 78 euros! Ah, mas que agência especial é esta? Chama-se Cool Tour Lx. Fale com o Pedro (pedro@cooltourlx.com) antes de fazer qualquer roteiro na metade de baixo de Portugal e diga que eu que indiquei. Foi ótimo, foi perfeito. Foi decente. Fora que nosso passeio foi VIP, pois éramos os dois únicos turistas daquele dia a irmos para lá com eles. Fomos de carro, com explicações a mais e tudo...


Bom, para quem não sabe, Sintra é uma cidade montanhosa, rodeada por uma floresta úmida, quase tropical... dava pra confundir, às vezes... A meia hora de Lisboa! A cidade fica mais embaixo. Nela, podem ser comprados artesanatos, pode-se comer e beber com preços relativamente bons e visitar alguns museus (tudo pago, ok?). Mas nem pense em fazer Sintra por conta própria, como um guia de Lisboa que me entrevistou no castelo de S. Jorge quis sugerir. Ainda bem que não fui. Sintra pode ser acessada via trem suburbano, mas o trem vai deixá-lo na cidade, longe dos lugares legais, que são distantes e, com isso, você paga um ônibus local ou um táxi. E não fica barato. De maneira qué pela agência do Pedro tudo fica melhor, organizado e você é pego e devolvido em seu hotel.


À medida que se sobe, tem-se acesso a lugares muito bonitos.


O primeiro deles foi o Parque e Palácio Nacional da Pena. Ingressos a oito euros por pessoa. Foi o monumento mais caro que pagamos em Portugal (olha, na França um monumento a oito é até barato...). Existe um bonde para se subir o morro arborizado até o palácio (2 euros). Não vale à pena, é bem perto.

O palácio é lindo, todo delirante, cheio de estilos confusos e contrastantes. A adminsitração local, por ser estatal, é bem formal, e os vigias das salas do palácio têm a cara bem fechada. Sabe aqueles que ficam "discretamente" acompanhando seus passos enquanto você entra e sai das salas?


Se tiver tempo, pode caminhar pelas trilhas do parque, um lindo jardim-bosque.


Ao se rodear os caminhos de ronda do palácio, avista-se o medievalíssimo Castelo Mouro, colinas abaixo...


Sim, deve-se ir a Sintra e visitar o Palácio da Pena, mas este é o monumento que eles mais divulgam, deixando de lado outros que, por não serem estatais, ficam à mercê de divulgação própria. E este segundo é um deles, a Quinta da Regaleira. De todos os lugares em que visitei, este é o mais estranho, místico, esotérico, simbólico... Adorei, porque acho interessantíssimos estes assuntos. A sensação é que eu estava em uma espécie de parque de diversões para amantes de ciências ocultas, rsss. Recomendo fortemente que você o visite. O ingresso estava incluído no passeio.


O que há nessa quinta?

Bom, trata-se hoje de um parque-jardim repleto de esculturas, fontes, escadas, torres e até um... poço iniciático, que é descido por uma escada em caracol, até se ter acesso aos subterrâneos. Sim, existem vários túneis criados para que a pessoa tenha experiências sensoriais e espirituais diferentes. Por alguns deles eu consegui passar. Outros são 100% escuros. É intencional. Nem uma velinha para ajudar e dá um pouco de insegurança. Na descida do poço, passando por um labirinto de túneis escuros ou semi-escuros, atingi uma espécie de laguinho, onde nadava um patinho colorido. Este laguinho, com águas totalmente lodosas, tinha pedras distanciadas, sobre as quais se pisava para se atingir o outro lado. Uma coisa meio Indiana Jones... Além desses deleites, o local oferece uma capela lindinha, com mais túneis, rsss... Um Palácio, um verdadeiro quebra-cabeças de esculturas, portas, janelas, escadas, torres, escadas em caracol, portas misteriosas, imagens intrigantes... Fica-se exausto ao se percorrer tudo, como uma criança na Disney, mas é muito bom mesmo!


Depois, fizemos um passeio pelo centro de Sintra (há um Museu dos Brinquedos a 4 euros e um Palácio a 5 euros, mas não fui. Achei caro. Esse povo tá pagando a moda de cobrar tudo...). Em Sintra, compre algumas queijadinhas, que são famosas por lá, na base de oitenta centavos cada. Um chá e um "garoto" (uma espécie de café espresso maior) custam 1,60 euro ambos, para você ter ideia dos valores. Achei um bom preço para turistas brasileiros.


A próxima parada foi no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa, onde Camões dizia acabar a terra e começar o mar... Trata-se de um jardim no alto de uma falésia, de onde se avista uma paisagem maravilhosa. Há um marco no local, além de um restaurante com loja de souvenirs e um farol. Há roteiros que não incluem, por não considerarem interessante. Eu, pelo contrário, recomendo muito que visitem o Cabo da Roca. Vale a paisagem, vale a vegetação com suas florzinhas delicadas, valem os rochedos... Tem de ir e pronto.


A seguir, descemos a rodovia no sentido da praia do Guincho (famosa pelo surf e windsurf), que dava acesso a Cascais.

O que há em Cascais? Suas casinhas brancas, o Hotel Baía, uma praia minúscula e feinha no centro da cidade e alguns barcos. É local para ser visitado com calma, para se descobrir os prováveis encantos. No percurso Sintra - Lisboa são vistos muitos fortes, fortalezas, faróis... Mas nada arrebatador.


A derradeira paragem deste dia foi em Oeiras, mais especificamente em um bar-restaurante em um deque de uma baía para iates. Muito agradável, comemos um lanche açoriano: uma espécie de petit gateau mais rústico com algumas torradas e suco. Uma excelente ideia que este pacote oferece.


Pois é, gente. Como disse ao Pedro, o guia, esse passeio e ele é que salvaram a imagem quase que totalmente negativa que eu estava levando de Lisboa e de sua gente. O tempo todo em que estive na capital lusitana eu me senti deprimido e angustiado. Ora, sentia-me agredido pela grosseira das pessoas, ora pela impaciência das mesmas.


O fim do dia terminou com uma passada em frente ao café A Brasileira, com a estátua de Fernando Pessoa em frente, mas sem foto, nem nada. Já estava farto de Lisboa.
(Foto: Poço Iniciático da Quinta da Regaleira)









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