
PARIS - VERSALHES - PARIS
Maravilhoso é pouco. Maravilhoso não é nada. Maravilhoso é o que a linguagem terrena me permite usar.
Vamos lá: sim, escolhi este dia para Versalhes por não ser ainda fim de semana, evitando o acúmulo de turistas tresloucados. Você já sabe: aqueles das máquinas fotográficas que tudo registram, mas nada veem. Eles são muito chatos pois, em geral, mal sabem o nome do lugar em que estão.
Em quarenta minutos a gente sai de Paris e entra nesse universo feérico que é Versalhes. Para chegar até lá eu desci na estação Saint-Michel e peguei a linha C do RER, que nos deixa na estação Rive Gauche. Há duas estações de RER em Versalhes.
Do famoso palácio ficamos alguns minutos a pé. Pegamos uma fila de centenas de metros (a maior que peguei em toda a viagem), porém, relativamente rápida, onde tivemos de deixar tudo o que fosse alimento em um guarda-volumes. Só depois de sairmos do palácio a gente pode pegá-los de volta e sair perambulando pelos jardins.
Nem tudo por lá é garantido pela carte-musée. Sempre há, nestes grandes locais de visitação, exposições temporárias e seções que são pagas à parte. Mas confesso: eu não teria tempo nem ânimo para pagar nenhuma outra coisa tão grandiosa quanto as alas que visitei no palácio. Então, não me arrependi.
Confesso que, apesar do esplendor e do fausto, fiquei um pouco enfastiado. A vista cansa. Cansa ver tanta cor, tanto luxo, tanto brilho, tanto exagero. São informações demais. Não dá pra saber tudo, ler tudo, perguntar tudo, ou então não se sai do lugar. Uma coisa que me irritou sobremaneira eram aqueles grupos de turista com guias que seguram idiotas flores de pano para serem facilmente localizados. São os piores, pois eles vão atravancando o caminho, só andam em bando, um horror.
É esplêndido o salão dos espelhos. A gente não sabe para onde olhar... Muitas estátuas, muita mobília, e que mobília. Todos os contos de fadas juntos.
Mas eu estava ansioso para andar nos famosos jardins...
Ah, sim...
Por 6,50 euros por pessoa a gente pega um trenzinho que tem 3 paradas. Ele quebra um galho, se quebra, pois são enormes os jardins. E depois, eles se desdobram em outras construções. A que eu mais ansiava para conhecer era o Hameau de la Reine (o vilarejo que se fez construir para alegria e deleite de Maria Antonieta).
O trem parava no Petit Trianon, Grand Trianon e no Grand Canal, onde o rei tinha um navio para brincar, rss...
Descemos no Petit Trianon e fomos caminhando diretamente para o hameau, por uns 15 minutos.
Os jardins desta parte são diferentes dos jardins geométricos e tão repetitivamente copiados em todo o mundo. Os outros, mais naturais, sem uniformidade, são os ingleses, os que mais gosto. Parecem os caminhos de fadas e de lobos nos contos... Não há como descrever: formam caminhozinhos cheios de árvores, frutinhas, pedrinhas, cerquinhas, laguinhos, riachinhos e seus peixinhos... Um estado permanente de graça...
O hameau tem ainda preservadas (e como as coisas são preservadas na França, Dieu merci!) as suas construções, como leiteiria, estrebaria, hortas, moinho, jardins de rosas, videiras, criação de animais (coelhos, cabras, porcos, vacas, patos, marrecos, pavõwa, galinhas d'angola, cisnes, burros, cães)... Havia uma porquinha preta grávida que era a alegria em pessoa, aliás, em animal. Era um dos animais mais felizes que conheci e nem precisa dizer o motivo.
É lindo. Algumas das mais lindas fotos da viagem tirei neste lugar encantado, com muito menos turistas, graças a Deus...
É mesmo um vilarejo bucólico, com hortas de repolhos, beterraba, lugares para se assentar e se esquecer dos problemas. Maria Antonieta deve ter sido muito feliz por lá...
Aquele lugar quebrou a correria metropolitana dos últimos dias.
O hameau é todo ele um suspiro de felicidade.
Na volta, pegamos um caminho diferente e fomos margeando o delicado bosque, caminhando por entre folhas secas. Vimos o teatro da rainha, a gruta, o um laguinho, várias árvores com diferentes frutinhas de bosque, até pegarmos a fila para o trem. Foi lá que esperamos um bom tempo, pois os passageiros não desciam para que outros ocupassem lugares. Mas a organização francesa providenciou um trem inteiro totalmente vazio e voltamos.
Passamos pelo Grand Canal, vimos as árvores sendo podadas na parte de cima, sempre ouvindo explicações de uma gravação. Descemos no pátio do palácio e admiramos suas fontes, seu espelho d'água, as estátuas que representam os grandes rios da França. E, antes de regressarmos a Paris, tivemos contato com dois curiosos corvos, estes animais inteligentes que estariam presentes em diversos outros jardins...
Em Saint-Michel, pegamos nossa linha de metrô. Lotado. Muito lotado, quase como na Sé, em São Paulo, no fim da tarde. Mas com uma grandíssima diferença: em Paris as pessoas têm uma educação fora do comum, até para situações desagradáveis e tumultuosas. Todos os que nos esbarram dizem "pardon". Para levantar, para sair, para carregar algo, para ceder um assento, para ocupar um assento as pessoas são, antes de tudo, educadas. E isso certamente faz toda a diferença.
Como é outono, a luz do sol fica mais suave. Às 14 horas, todos os dias, invariavelmente temos a impressão de já ser tarde. Parece a luz de umas 17, 18 h no Brasil. E essa luz dá um tom pastel a muitas construções. É muito bonito.
Mais supermercado na volta...
15 maçãs: 2,30
1 baguete grande: 0,85
12 mini-waffles: 0,99
300 comprimidos de adoçante: 1,70
12 flans: 1,99!!!
salaminho fatiado: 1,80
margarina (250g): 0,84
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