
TOULOUSE - RENNES
Dia cansativo. Saímos de Toulouse às 7:54h. Tivemos de pegar um táxi até a Gare de Matabiau, pois era cedo demais, as ruas muito escuras e fiquei um pouco inseguro.
O trem baldeou em Nantes e chegamos em Rennes apenas às 16:16h. Oito horas e sessenta e dois minutos de viagem!!!
Era o primeiro dia de férias dos franceses. Era sábado! Daí eu digo: nenhum turista que compre um pacote turístico mequetrefe e caro de 5 noites em Paris (coitado!) terá experiências assim, que são, a meu ver, as que contam. Atravessei um bom pedaço da França até Rennes. Cortamos várias cidades importantes, vimos os franceses "in natura", em uma agradável confusão de famílias, crianças, adolescentes com pranchas de surf e skates, gatos dentro de gaiolas e muitos, muitos sanduíches e uma impossibilidade de se ir ao banheiro devido ao acúmulo de gente no chão dos corredores. O caos francês!, rsss.
Houve mesmo uma estação tão pequena em uma cidadezinha que os passageiros tiveram de descer no chão de terra, ao lado dos trilhos, pois o trem não coube inteiro ao lado da plataforma.
No tem, além da bagunça das meninas no corredor, que resolveram brincar de várias brincadeiras de meninas impróprias para trens lotados em movimento, vi belíssimas paisagens de outono com vacas, couves, canteiros de várias hortaliças, patos, gansos, cisnes... O interior da França é incrivelmente bucólico e organizado. Não se vê um só lugar de onde se diga: "que feio, como se pode morar aí?", como ocorre no Brasil.
Rennes é charmosa. Chegamos ainda com luz.
Vimos muitos turcos e gente do Norte da África. E, talvez pelo que me disseram em Toulouse e talvez pelo meu faro de morador de terceiro mundo, eles me deixaram inseguros.
Uma gentil senhora francesa que abordei na rua me informou a direção do hotel e bateu um papo comigo. Ela me disse que as pessoas estranhas na França que carregam um cão junto, como companhia, são as que realmente podem nos incomodar pois, se fizerem alguma coisa, a polícia não pode prendê-las, por conta do cão, que não tem nada a ver com a história!
E no fim ela afirmou:
- Somos um país de liberdade. É o preço da democracia...
Mas é realmente bela a democracia francesa que aceita com paciência tanta gente diferente, com hábitos incomuns, com valores muitas vezes opostos.
Saímos em Rennes, após deixarmos as coisas no hotel, para nos informarmos sobre o ônibus para o Mont Saint-Michel e comermos alguma coisa. Fizemos a besteira de entrarmos em uma casa de "kebab", onde vi no letreiro na porta alguns "combos" por preços muito em conta, por ser na França. Chegou até nós um pão (meia baguete) aberto, recheado de frango em cubo grelhado e acompanhado de katchup e batatas fritas - o nome disso era "brochette à poulet frites", por 9 euros para 2 pessoas. Confesso que só pedi pelo nome, não tinha visto antes o que e como era.
Aquele seria uma das muitas casas de "kebab" que eu veria na França. E para quem não sabe, "kebab" é o famoso "churrasco grego", que em São Paulo abominamos por sua aparência (e, muitas vezes, comprovação) de falta de higiene. O kebab também pode ser assado em espeto, intercalado por legumes. É prato típico da Grécia, Turquia e outros países mediterrâneos. O dono do bar chegou a servir um dos fregueses empurrando um arroz colorido "com as mãos", no próprio prato, e depois servindo.
Ah, achamos um supermercado Carrefour, quase na hora de fechar. Foi o que nos salvou. Compramos 1 litro de água pela bagatela de 17 centavos, 2 pacotes de biscoito por 1.80, 1 pacote de salame (0,85), 1 litro de chá (1,01), 1 lata de salada de frutas (1,31) e 4 potes de sobremesa (polpa de fruta pura)), por 0,97.
(Foto: imagem do centro de Rennes)
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