segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dia 2 - 15 de outubro


PORTO - BARCELOS - PORTO


Barcelos é um encanto, com seus azulejos dentro de igrejas, as ruínas de seu paço, seus infinitos galos representados no artesanato, suas lendas, sua feira local (fomos na quarta-feira, único dia da feira; demos muita sorte!), onde até coelhos são encontrados (vivos, mas para serem comidos, coitadinhos). Na feira se vende de tudo que vem do campo naquela região, além de utensílios e roupas. Tripas ficam expostas para quem for fazer chouriço e vários tipos de couve são vendidos, inclusive a linda couve-coração.

Mulheres viúvas e mulheres ciganas com suas vestes pretas. Esta cidade delicada, que muito de minha terra em Minas me mostrou, é um dos redutos dos Vilas Boas, juntamente com a cidade de Amarante. A cerâmica cor de tijolo com pintura branca compõem peças bem típicas do artesanato.

Em Barcelos, também visitamos o templo do Bom Jesus da Cruz, com a misteriosa cruz em terra negra e uma imagem escura de Cristo esculpida, que nunca foi retirada da igreja. Dizem os devotos que, se tentarem fazê-lo, a imagem cresce tanto que não passa pela porta. Por isso ela possui uma réplica, que sai nas procissões. Há nesta igreja azulejos retratando figuras sacras, mas tais figuras têm 6 dedos nos pés (o artista provavelmente tinha polidactilia).

As ruínas do paço dos Condes de Barcelos me encantaram e me trouxeram um sabor primevo de Idade Média. Lá, encontrei símbolos templários e de práticas de magia entre os túmulos e a estatuária. Ao lado, ainda há um pelourinho.

A igreja Matriz também foi visitada: românica, gótica, barroca, repleta de azulejos. Um contraste que incomoda mas, sobretudo, algo inusitado. A bem próximo, o Solar dos Pinheiros, um casarão com a figura da cabeça de um homem ao alto (chamado de "o Barbadão").

A Torre da Porta Nova era uma das entradas da vila no século XV, fazendo parte de uma muralha que não mais existe.

Também fiquei admirado com o cruzeiro do galo, onde a lenda do galo de Barcelos (muito longa para eu contar aqui, mas provavelmente sairá em um de meus livros) pode ser de alguma forma revivida. Também vimos a casa do condestável Dom Nuno Álvares Pereira, revivemos a lenda de Dom Dinis e Santa Isabel com as rosas que saem de seu vestido (outra lenda que não dá pra contar aqui)... Todas referências de quando eu lecionava Literatura Portuguesa...

No final da tarde, pausa para um chá com éclair de violeta (a flor!) e chocolate com limão.

Ah, que saudade de Barcelos. Uma cidade onde certamente voltarei...


Mas o dia ainda não tinha terminado. A guia deixou eu, Fred e Ilmara para admirarmos o pôr-do-sol do rio Douro em sua foz, tomando caldo de legumes e comendo pãezinhos em um agradável restaurante à beira-mar.
(A foto é do Paço dos Condes de Barcelos.)

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