segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dia 3 - 16 de outubro


PORTO - GUIMARÃES - PORTO


Nunca me esqueço da beleza daquela viagem de trem do Porto a Guimarães, escutando músicas portuguesas no fone de ouvido e vendo as infinitas vinhas e plantações de couve-manteiga nos fundos dos quintais das pequenas quintas... Como foi tão Sul de Minas Gerais, como foi tão amalgamada aquela experiência...

Guimarães, berço da língua portuguesa, de nossa pátria primeira, patrizinha tão querida... chegou aos meus olhos em um dia de azul profundo...

Uma cidade que ainda mantém em seu centro histórico um estilo medieval intramuros, coroada pelo maravilhoso Castelo de Guimarães em sua colina, tão primitivo e forte quanto nossa gente original, quanto o bravo D. Afonso e todos os demais que carregamos no sangue.

Foi em Guimarães que pude visitar o Paço dos Duques de Bragança, algumas das capelas dos passos da Paixão, a Rua de Santa Maria, passando em frente ao Convento de Santa Clara, Praça Santiago, Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o Padrão do Salado (um alpendre gótico) no meio de sua pracinha... Antigos Paços do Concelho, Casa da Rua Nova, Igreja da Misericórdia, Palácio e Centro Cultural Vila-Flor... Mas meu encanto mesmo foi o castelo...

Ah, que castelo de contos de fadas heroicos, de sagas, de pelejas, de andanças de cavaleiros... Como foi mágico aquele lugar! Que lembranças suaves do trovadorismo, das cantigas de gesta, das canções de amigo...

Um castelo quase todo meu, tão vazio estava. E, no fim, sua torre misteriosa e forte, como uma árvore antiga, com uma escadinha treme-treme de madeira conduzindo-nos, quase que arrastando, à portinhola que dava acesso ao cume, o ponto mais alto, aberto e ventoso, daquela torre tão primeira.

Que saudade daquele castelo e daquela Guimarães que viu brotar, há mais de 800 anos, como água da pedra, a linda e áspera língua que o tempo faria se adoçar...

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