segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dia 4 -17 de outubro


Na noite anterior chegamos à Lisboa. Pegamos um trem confortabilíssimo, com serviço de bordo, aquecedor, fazendo uma média de 200 km/h... Porto - Lisboa. Duas horas e meia depois, lá estávamos nós, na estação Apolônia, em uma cidade que se mostrou muito, mas muito diferente mesmo do Porto... Se eu soubesse o que me aguardaria, teria ficado mais no Porto, local de onde senti muitas saudades...
A começar pela chegada, quando descemos de metrô na estação Marquês de Pombal e fomos arrastando a mala de rodinhas por entre ruas escuras e desertas, sem ninguém sabendo informar onde ficava nosso hotel, o Jorge V, a 3 quadras de onde estávamos. Vi, sim, um homem estranho com um cachorro vindo em nossa direção (depois me disseram que estes são os mendigos perigosos da Europa... os que andam com cães...). Vi muita coisa. Até taxista, que em Lisboa não faz corrida curta nem que se pague em ouro...
Dormimos em um quarto um pouco melhor do que o do Porto, mas com banheiro minúsculo. A TV era melhor, mas os programas de mais qualidade eram as novelas brasileiras (da 8 e das 6, a Paraíso)...
O café da manhã era melhor do que o do hotel do Porto... mas, uma estranha rotina nos aguardava. É que o salão do café não tinha número de mesas e cadeiras suficiente para o número de hóspedes! Assim, todos os dias fazia-se uma fila, na qual se aguardava pelo menos 15 minutos para se conseguir uma mesa, limpa às pressas por um estressado garçom. O mais patético da história é que exatamente ao lado do salão de café, havia um salão de TV, separados por um biombo. O salão de TV possuía amplas poltronas, um aparelho televisor gigantesco e... quase ninguém assistindo. Muita falta de inteligência, a meu ver, deixar os hóspedes em situação tão constrangedora no café da manhã para, por outro lado, colocarem uma sala absurdamente desnecessária e tão grande logo ao lado. O pior foi o dia em que encontrava um prato sujo atrás do outro, e ainda por cima molhado. Veio até mim um rapaz que parecia ser o gerente do local e me disse que não havia nada sujo. Daí mostrei para ele uns 2 dos numerosos pratos sujos e úmidos. Ele, com cara de tacho, mas irrelutante, ainda argumentou: "calma!". Pois naquela hora ele se flagrou brasileiro. Brasileiro, e já grosseiro. Aprendeu logo, né? Pois é... Por essa e outras eu não recomendo a ninguém o hotel em que fiquei em Lisboa.

No nosso quarto dia na Europa, fomos à região de Belém. Pra começar, pegamos o autocarro (ônibus) no sentido contrário e ninguém nos disse nada... Aí começaram os atropelos e mal entendidos em Lisboa... Ônibus 747... e duas senhoras turistas alemãs de quebra, meio que "dependuradas" em nossas informações... Uma delas bem chata, quase arrogante... livramo-nos logo delas assim que descemos na região de Belém...
Daí fizemos o seguinte roteiro:
- Monumento dos Descobrimentos;
- Torre de Belém;
- Mosteiro dos Jerônimos;
- Museu Nacional de Arqueologia...
Depois, no final da tarde, fomos à Praça do Rocio com Thiago, um brasileiro que conhecemos no ponto de ônibus. Aliás, esta tal praça não teve nada de interessante, ao contrário do que diziam os guias impressos. Pelo contrário... muitos imigrantes e pessoas "sem ocupação definida" se aglomeravam, num burburinho suspeito. Por lá jantamos... Comi um bacalhau a Braz na Rua dos Correeiros, local em que os ciganos romenos ofereciam haxixe aos turistas europeus na cara dura! Foi lá também que encontrei um mendigo bilíngue, na faixa de uns 30 e poucos anos... dizia-se carioca da gema, e levantava uma perna com uma cicatriz a todos, pedindo uma ajuda em euros, ou mesmo um cigarro...

Realmente Lisboa não me reservou experiências muito interessantes, mas tenho de confessar que a Torre de Belém valeu a resmunguice da capital lusitana. Antes dela, no Monumento dos Descobrimentos, subimos de elevador para apreciarmos a linda paisagem, os iates do cais dos que têm grana, a ponte que cruza o Tejo e seu modesto Cristo Redentor do outro lado... E, ah, o Mosteiro dos Jerônimos do outro lado de nosso mirante, maravilhoso, alvo, impávido.
A Torre de Belém é experiência única. Local para se deliciar com a subida a todos os andares, entender como ela era, para que foi criada, e o que acontecia de importante lá dentro. Que monumento magnífico! Demoramo-nos muito nela.

Aliás, há muitas escadas em caracol para subir até o alto da torre... como muitas outras existiram por toda a Europa... Chegamos a subir mais de 700 escadas de uma só vez em um dos dias de visita a Paris (contarei mais adiante)...

No Mosteiro dos Jerônimos, passando pela casmurrice da vendedora dos bilhetes - que achava que eu, por ser professor brasileiro de um estado que ela não conhecia!, não merecia entrar de graça -, respirei fundo e me entreguei ao mosteiro. Belo, gótico, exótico, com suas "gárgulas" quiméricas e sua maravilhosa igreja. Esplendor, delírio e encanto ao mesmo tempo. Foda-se a casmurrice desses lisboetas, Deus meu, pois meu passeio vale bem mais do que isso... Nós, brasileiros, pagamos caro para visitar a Europa. Aliás, pagamos quase 3 vezes o que comemos e compramos. É tudo muito sensato: um café a 2 euros sai a quase 6 reais. Não tenho coragem... Daí não podemos nos estressar com gente infeliz...

Eu digo hoje: tem-se de ir a Lisboa (não precisa se hospedar na cidade) para se visitar a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o Castelo de São Jorge. Isso se faz em um dia. Depois, você pode cair fora e ir curtir Óbidos ou outro lugar de gente mais... espairecida.
(Foto: Torre de Belém ao crepúsculo)

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