segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dia 25- 7 de novembro

(Foto: Place de la Concorde ao pôr-do-sol)
Este dia foi reservado ao Jardin des Plantes. Mas antes fomos às Arènes de Lutèce.

No Jardin des Plantes, além de caminharmos por suas alamedas, entramos no Grand Musée d'Histoire Naturelle (8 euros). O fim do dia foi no Marché aux Puces. Bem que eu tinha desconfiado que no primeiro dia em que fui lá havia algo estranho. Eu não tinha tido coragem de passar adianta das barracas de camelôs.

Desta vez, eu entrei pelos corredores infindáveis de comerciantes africanos e do Oriente Médio que vendiam toda sorte de produtos (uma espécie de 25 de Março a céu aberto) e então resolvi entrar em um galpão para fugir da multidão. Foi então que descobri o Marché aux Puces: um grande brechó e antiquário, bastante caro para bolsos de quem ganha em reais, já quase fechando, pois já era fim do dia...

Foi nossa última atração desta viagem à Europa.

No dia seguinte, pegamos o avião Paris - Lisboa em Orly (tivemos de pagar táxi, pois o horário foi muito ingrato... Nem metrôs funcionavam naquela hora. 63 euros...).

Em Lisboa, esperamos um pouco para tomarmos nosso avião direto para São Paulo...

Dia 24 - 6 de novembro


PARIS - CHANTILLY - PARIS


Pegamos o RER e fomos para a cidade de Chantilly, a uns 40 minutos da Gare. Lá, caminhamos por dentro de um bosque maravilhoso, que termina nos arredores de um campo de hipismo. Rodeamos a cerca do mesmo, passamos em uma linda alameda de árvores de folhas caducas, contornamos os fundos das estrebarias (magníficas) e avistamos o castelo.

Chantilly, com seu castelo e seus jardins, me agradaram um pouco mais do que Fontainebleau, apesar de ambos serem imperdíveis.

O interior do castelo traz o esplendor com o qual já tinha me acostumado. Há várias referências à caça e ao hipismo em várias seções.

Por fora, mais um deslumbrante jardim, com uma parte cortada por um riacho e um pequeno hameau no final. As alamedas são magníficas, e há um bosque pelo qual se pode caminhar entre as fofas folhas do outono. Só lá mesmo para se caminhar em um bosque com toda a tranquilidade e segurança.

De volta a Paris, aproveitamos a noite para irmos à Notre-Dame, onde presenciei um ofício religioso, e depois fomos ao pé da Torre Eiffel.

Dia 23 - 5 de novembro


O dia de subir na Torre Eiffel. Ah, eu vou lhe dizer o que várias pessoas disseram: é mesmo dispensável. Por isso que deixei como uma das últimas atrações.
A base da Torre é muito bonita, tem um laguinho com patos felizardos.
Preferimos subir a pé pelas escadas até o segundo andar (mais de 700 degraus!!!) pagando 4,50 euros cada um. Do segundo andar, poderíamos pegar o elevador gratuitamente até o topo. Mas sinceramente não tive coragem, rss... Estava cansado. A visão lá do alto é linda, mas gostei mais de outras alturas.
No segundo andar há uma sala com projeção de trechos de filmes que têm a Torre como elemento importante. Também há restaurantes e lojas de souvenirs.
O melhor do dia foi o Musée Grévin, de cera. O bilhete mais caro que pagamos em toda a viagem: 20 euros por pessoa, mas vale. Algumas figuras são surpreendentes e dão a impressão de se estar com a pessoa viva.

Passamos no Monoprix e voltamos para o apartamento para descansar.

Dia 22 - 4 de novembro

(Visão de Paris do alto da colina do Sacré-Coeur)
Dia reservado para andarmos à vontade por Montmartre, pois não tínhamos feito isso ainda. Queria também apagar o trauma do africano que me perseguiu no pé da colina do Sacré-Coeur.

O passei a Montmartre incluiu: Église Saint Pierre (séc. XII, a mais antiga da cidade), Place du Tertre (a charmosa praça dos pintores que pintam ao ar livre), átrio do Sacré-Coeur, les Vignes (único vinhedo da cidade de Paris), Au Lapin Agile (o cabaré), descida da butte, passando por aquele lindo jardim, pelo carrossel, enquanto as cenas do filme com Amélie Poulain me vinham à cabeça... Ruas de artesanato, Boulevard Clichy, Place Pigalle, Moulin Rouge, funicular e uma ida ao Parc de la Turlure, um jardim simpático no alto das escadarias que terminavam no prédio em que alugamos o apartamento.

Comprei uns pôsteres para colocar em molduras, belos e baratos.

Almoçamos no apartamento, saímos de novo para irmos ao Musée du Carnavalet, gratuito, maravilhoso, todo sobre a cidade de Paris. Imperdível. Surpreendeu-me muito. É mais um daqueles museus com tantas obras que a gente cansa.

Depois fomos ao pequeno jardim que o ladeia, onde uma legião de pardais comeu em minha mão as migalhas de um sanduíche. Passamos mais temop neste jardim do que pretendíamos.

Depois, fomos à Église de la Madeleine, que não se deve deixar de visitar por nada. Caminhamos pelo elegante Boulevard do Feaubourg Saint-Honoré, vitrines encantadoras, lan-house...

Ah, é dificílimo achar lan-house em Paris. E os teclados são diferentes. A gente fica doido.

O valor que paguei foi de 3,20 euros por meia hora para duas pessoas (cada uma em um computador).

Passamos em um supermercado lá perto, onde compramos mais abastecimento para nossa despensa.

Dia 21 - 3 de novembro


PARIS - BRUXELAS - BRUGES - PARIS


Uma manhã fria já na saída de Paris. A viagem de trem até Bruxelas foi de 1h e 22 minutos. Não dá para sentir mudar de país. Não se vê placa, divisória, marco. A paisagem se repete de Paris a Bruxelas.

Na Gare du Midi, poucos funcionários com os quais pudéssemos nos informar. As informações bilíngues privilegiavam o flamengo em primeiro lugar, e não o francês. Pegamos o trem que teve uma parada em Gant-St. Pieters, e depois chegamos a Bruges, em uma viagem que durou 1 hora.

Frio e garoa nos aguardavam em Bruges. Foi o dia em que senti mais frio durante a viagem. O rosto começa a arder de tão cortante estava o vento.

Uma senhora de Bruges me disse que há 50 anos todo mundo na Bélgica falava os dois idiomas. Mas hoje a divisão entre Flandres e Valônia é bem acirrada e a língua é algo bem marcante. Nem todo mundo fala francês, nem inglês.

As placas em Bruges eram todas em flamengo. Mas, de qualquer forma, o francês me ajudou quase o tempo todo em que estive na Bélgica. Apenas duas vezes tive de falar inglês para ser compreendido.

A cidade é linda. A Veneza do Norte tem muitos canais, muitas boulangeries, muitas casas que formam uma arquitetura bem harmônica. Tudo é limpo e organizado. Fomos também ao supermercado, onde compramos algumas delícias e um caderno (meu diário de viagem ficou sem folhas).

Fomos a uma brasserie comer uma coisinha gostosa e também provei dos famosos chocolates e do "macaron", uma espécie de suspiro com recheio. A unidade saía a 3 euros!

Na estação de Bruxelas (não deu tempo de visitar a capital da Bélgica...), fomos ao Carrefour e compramos algumas coisinhas...


Em São Paulo existem vários lugares para se comer macarron, para quem gosta ou quer matar a saudade


Le Vin PatisserieR$ 2,10 cadaAl. Tietê, 178, Jardins, São Paulo - SPTel. 11-3063 1094
Deli ParisR$ 2,80 o macaron grande, R$ 0,90 o miniRua Harmonia, 484, Vila Madalena, São Paulo - SPTel. 11-3816 5911
Le FournilR$ 1,50 cadaRua Sena Madureira, 1355, Vila Clementino, São Paulo - SPTel. 11-5087 0888
Pati PivaR$ 3 cada, R$ 28 a caixa com 10Rua Oscar Freire, 154, Jardins, São Paulo - SPTel. 11-3062 5046

Dia 20 - 2 de novembro


PARIS -CHARTRES - PARIS


A ida ao Père Lachaise foi só coincidência...

Acordamos, pegamos o metrô, fizemos as devidas baldeações, compramos um mapa do cemitério na porta e entramos no gigantesco Père Lachaise. Havia apenas dois túmulos que me interessavam: o de Allan Kardec e o de Edith Piaf.

Precisa de mapa, sim. E como. São muitas ruas e alamedas. Poucos turistas.

O túmulo de Kardec é um dos mais floridos. Ficamos um bom tempo em frente. Foi um local em que me senti muito bem.

O túmulo de Edith Piaf me passou muita tristeza.

Na saída, ainda visitamos outros túmulos coletivos, geralmente ligados à Segunda Guerra.

Pegamos o metrô e fomos aom Trocadero avistar a Torre Eiffel. Quase sob a Torre o tempo ainda estava muito bom, mas logo o céu ficou nublado.

Na hora do almoço decidimos pegar o trem para Chartres, a cidade da magnífica Catedral e seus vitrais. Passamos um tempo da tarde por lá, que foi mais do que suficiente para visitarmos o templo e darmos uma volta.

De volta a Paris, fomos à Gare Montparnasse, mas achamos alto o preço para subir até o alto: 10,50 euros.

Caminhamos por um centro comercial e depois em uma feira livre. Passamos na Gare du Nord para fazermos a reserva do trem para Bruxelas e tivemos de pagar os dois, apenas pela reserva (já tínhamos os bilhetes) o absurdo de 104 euros!!!

Compramos duas baguetes no retorno para o apartamento e fomos planejar o dia seguinte.

Dia 19 - 1 de novembro

(Foto: jardim do Castelo de Fontainebleau)
PARIS - FONTAINEBLEAU - PARIS


Estava mais descansado. Fomos a Fontainebleau, uma cidade a 30 minutos de Paris. De lá, pegamos um ônibus (1,70 euro por pessoa). A cidade é agradável e o castelo suntuoso que foi residência de Napoleão tem também decoração pesada (nem tanto quanto Versalhes). Por dentro do castelo, mais uma vez a sensação de muita informação. Não dá para assimilar de uma vez.

O jardim inglês é lindo, autêntico, com patos e cisnes e muitas folhas secas levadas pelo vento... A beleza do outono estava em seu esplendor. Foi inesquecível...

Na volta, descemos na Gere de Lyon, fomos à pé sob chuva à Gare d'Austerlitz pegar uma linha de metrô para o Museu de Cluny, mas tivemos de parar para brincar com os pardais dentro da Gare. É que eles comiam em nossas mãos. Nunca vi tanta intimidade, pois lá em Minas pardal é bicho arisco demais.

No museu em local que já foi termas romanas, uma fila grande, todo mundo sob guarda-chuva, mas todo mundo feliz... Havia uma exposição (muito sem graça) sobre Astérix e o restante era uma coleção variada de obras medievais. A mais majestosa era o conjunto de 6 tapeçarias intituladas "A dama com unicórnio", extremamente simbólica, que impressiona muito.

De Cluny fomos a La Villete, a cidade da Ciência. A decepção foi que a carte-musée dava acesso a uma área muito restrita, apesar de extensa. Também havia excesso de pais, de filhos, de filas, atrações com última sessão encerrada. Perambulamos tendo de abrir mochilas a todo instante, pois na França é assim. O medo do terrorismo obriga os seguranças a pedirem para abrirmos mochilas em vários locais estratégicos.

Na volta, um cara pediu para passar comigo pela porta do metrô, pois tinha se esquecido do bilhete. E o pior: ele estava segurando uma caixa com uma ave dentro. Que estranho...

Este foi o último dia de uso da carte-musée, essencial. Porém, no fundo foi bom, pois os próximos dias seriam livres para fazermos o que bem quiséssemos, sem nos preocuparmos em visitar apenas atrações abrangidas por nosso ingresso. Foram 22 monumentos em 6 dias. Ufa...

E mais supermercado:

1 lata de feijão com molho de tomate: 0,85 (adorei!!!)

2 tomates: 0,42

8 pães doces: 1,74

8 iogurtes de baunilha: 1,99

4 iogurtes de manga: 1,34

celeri remoulade (uma salada de salsão com molho): 1,90

tartiflette (batata cozida com bacon em lata): 2,30

1 lata de sardinha: 1,19

1 pote de margarina: 0,84


Dia 18 - 31 de outubro

(Foto: Joana d'Arc na Place des Pyramides)

Desanimei de ir a Fontainebleau neste dia. Acho que dormi umas 10 horas. A gente fica muito cansado...

O primeiro roteiro hoje foi ao Marché aux Puces, na Porte Clignancourt. Muito decepcionante, mas só no último dia eu conheceria o verdadeiro Mercado das Pulgas. É que nesta manhã de sábado eu não tive coragem de ir além da feira confusa que me pareceu ser o tão procurado roteiro...

Depois, fomos so Musée des Égouts. Ah, decepcionante (o que encontrar também num museu de esgotos, não é?) e fétido. Não dei conta. O nariz começa a arder certa hora e tudo o que queremos é ar puro.

Daí fomos ao Musée du Quai de Branly, dedicado a todos os continentes, exceto o europeu. Pouca coisa do Brasil, geralmente ligada a índios ou ao candomblé. Havia uma montagem de fotos de Pierre Verger exibida com narração em uma tela de 14 polegadas, mas as informações eram incorretas e superficiais. Havia também duas vestes de egungum.

Em seguida, fomos ao Museu Galliera (de Moda), mas ele estava fechado, e ficamos lanchando em seu jardim.

Em seguida, atravessamos a cidade de metrô rumo à Catedral de Saint-Denis, em um local bem diferente da Paris que estava conhecendo. A região de Saint-Denis é conhecida por sua grande leva de imigrantes africanos e também latinos. 90% são africanos e pessoas do Oriente Médio. É um lugar confuso, infelizmente um tanto sujo, onde, nas proximidades da Catedral ocorria um casamento muçulmano. As mulheres gritavam muito, os homens estavam com ternos coloridos e carros caríssimos.

Na frente do templo, havia uma placa explicando que lá Joana d'Arc depositou suas armas.

Entramos logo na Catedral e fomos direto à cripta, onde uma guia explicava tudo direitinho. Quem estava lá, a história de cada túmulo e a relação do local com a cidade em vários momentos.

A cripta é linda, vários túmulos são suntuosos, sobretudo um que faz alusão a Maria Antonieta.

Vários reis da França estão lá enterrados.

De lá, fomos ao Musée des Arts Décoratifs, la rue de Rivoli, onde tivemos apenas meia hora para vermos algumas das exposições: brinquedos antigos (ah, eu tenho mais brinquedos do que os que estavam expostos lá), uma exposição sobre a cor vermelha, arte medieval, primeira Renascença, segunda Renascença...

De lá, caminhamos pela rue de Rivoli, vimos a linda Joana d'Arc dourada a cavalo na Place des Pyramides e terminamos na Avenue de l'Opéra, com a linda Ópera iluminada em meio a um trânsito louco de carros, lambretas, ônibus e pessoas. Infernal, rss...

O retorno ao apartamento foi em ônibus cheios, como os que pegamos praticamente o dia todo. E eu que imaginei que no sábado haveria menos gente nos metrôs.

Dia 17 - 30 de outubro

(Foto: Jardin du Luxembourg)
Dia em que perdemos um bom tempo na complexa Gare de Lyon para tentarmos ir a Fontainebleau. Porém, o bilhete Navigo não dava direito àquela região. Só poderíamos usando europass, mas estávamos sem eles. Assim, mudamos os planos e fomos ao interessante Château de Vincennes, em Vincennes, uma cidade na grande Paris, usando metrô mesmo.

Lá conhecemos uma linda capela gótica com vitrais e o Donjon (Torreão). O Torreão é absolutamente medieval, com várias salas e, o melhor, só nós como turistas. O castelo era todo nosso e isso se dá porque a atração é pouco divulgada.

Após um bom tempo no castelo, fomos para o Office de Tourisme da cidade, onde um rapaz nos deu várias informações. Eu queria descer na Rue des Latières, n. 22, onde surgiu o primeiro centro espírita de Paris - o qual ainda hoje está lá, modesto, discreto, mas erigido. A Association Spirite estava fechada.

Daí pegamos novamente o metrô e fomos ao Panteão, construção magnífica com várias lembranças gloriosas do país. Honra e pátria!

Painéis enormes contando os principais momentos da vida de Joana d'Arc, o pêndulo de Foucault funcionando e conhecemos a gigantesca cripta, com túmulos de personalidades como Victor Hugo, Alexandre Dumas, Émile Zola, Marie Curie e seu marido, Voltaire...

Saímos e fomos ao Jardin du Luxembourg. Esplendoroso, florido, bem cuidado. Era uma tarde fria que não assustava moradores e turistas. Comi na rua um "flan naturel", uma torta recheada totalmente de flan de baunilha (2 euros).

O frio começou a assustar. Fomos à Cinemateca Francesa visitar seu Museu do Cinema, mas confesso ser algo um tanto dispensável. Mesmo eu que amo a sétima arte achei meio desnecessário. Existem lá dentro réplicas dos primeiros aparelhos que tentaram colocar a imagem em movimento, e os mesmos pode ser manipulados pelo visitante. O resto são cartazes, figurinos, máscaras...

Não suportando mais comer sanduíches de pão de forma com verduras, frios e molhos, revolvemos comprar no supermercado algumas coisas diferentes:

8 mini gâches (pães doces): 1,74

1 baguete grande: 0,85

1 caixa de cuscuz para preparar: 2,47

1 bolo: 1,30

4 pudins de caramelo: 1,90

1 cabeça de alface: 0,99

1 lata de polpa de tomate: 0,99

4 cenouras: 0,25

1 pacote de salsichas Strasbourg: 1,35

15 pequenos steakes de frango: 1,35

Das coisas de supermercado, as mais caras são as carnes. O restante achei bem em conta.

Dia 16 - 29 de outubro


PARIS - VERSALHES - PARIS


Maravilhoso é pouco. Maravilhoso não é nada. Maravilhoso é o que a linguagem terrena me permite usar.

Vamos lá: sim, escolhi este dia para Versalhes por não ser ainda fim de semana, evitando o acúmulo de turistas tresloucados. Você já sabe: aqueles das máquinas fotográficas que tudo registram, mas nada veem. Eles são muito chatos pois, em geral, mal sabem o nome do lugar em que estão.

Em quarenta minutos a gente sai de Paris e entra nesse universo feérico que é Versalhes. Para chegar até lá eu desci na estação Saint-Michel e peguei a linha C do RER, que nos deixa na estação Rive Gauche. Há duas estações de RER em Versalhes.

Do famoso palácio ficamos alguns minutos a pé. Pegamos uma fila de centenas de metros (a maior que peguei em toda a viagem), porém, relativamente rápida, onde tivemos de deixar tudo o que fosse alimento em um guarda-volumes. Só depois de sairmos do palácio a gente pode pegá-los de volta e sair perambulando pelos jardins.

Nem tudo por lá é garantido pela carte-musée. Sempre há, nestes grandes locais de visitação, exposições temporárias e seções que são pagas à parte. Mas confesso: eu não teria tempo nem ânimo para pagar nenhuma outra coisa tão grandiosa quanto as alas que visitei no palácio. Então, não me arrependi.

Confesso que, apesar do esplendor e do fausto, fiquei um pouco enfastiado. A vista cansa. Cansa ver tanta cor, tanto luxo, tanto brilho, tanto exagero. São informações demais. Não dá pra saber tudo, ler tudo, perguntar tudo, ou então não se sai do lugar. Uma coisa que me irritou sobremaneira eram aqueles grupos de turista com guias que seguram idiotas flores de pano para serem facilmente localizados. São os piores, pois eles vão atravancando o caminho, só andam em bando, um horror.

É esplêndido o salão dos espelhos. A gente não sabe para onde olhar... Muitas estátuas, muita mobília, e que mobília. Todos os contos de fadas juntos.

Mas eu estava ansioso para andar nos famosos jardins...

Ah, sim...

Por 6,50 euros por pessoa a gente pega um trenzinho que tem 3 paradas. Ele quebra um galho, se quebra, pois são enormes os jardins. E depois, eles se desdobram em outras construções. A que eu mais ansiava para conhecer era o Hameau de la Reine (o vilarejo que se fez construir para alegria e deleite de Maria Antonieta).

O trem parava no Petit Trianon, Grand Trianon e no Grand Canal, onde o rei tinha um navio para brincar, rss...

Descemos no Petit Trianon e fomos caminhando diretamente para o hameau, por uns 15 minutos.

Os jardins desta parte são diferentes dos jardins geométricos e tão repetitivamente copiados em todo o mundo. Os outros, mais naturais, sem uniformidade, são os ingleses, os que mais gosto. Parecem os caminhos de fadas e de lobos nos contos... Não há como descrever: formam caminhozinhos cheios de árvores, frutinhas, pedrinhas, cerquinhas, laguinhos, riachinhos e seus peixinhos... Um estado permanente de graça...

O hameau tem ainda preservadas (e como as coisas são preservadas na França, Dieu merci!) as suas construções, como leiteiria, estrebaria, hortas, moinho, jardins de rosas, videiras, criação de animais (coelhos, cabras, porcos, vacas, patos, marrecos, pavõwa, galinhas d'angola, cisnes, burros, cães)... Havia uma porquinha preta grávida que era a alegria em pessoa, aliás, em animal. Era um dos animais mais felizes que conheci e nem precisa dizer o motivo.

É lindo. Algumas das mais lindas fotos da viagem tirei neste lugar encantado, com muito menos turistas, graças a Deus...

É mesmo um vilarejo bucólico, com hortas de repolhos, beterraba, lugares para se assentar e se esquecer dos problemas. Maria Antonieta deve ter sido muito feliz por lá...

Aquele lugar quebrou a correria metropolitana dos últimos dias.

O hameau é todo ele um suspiro de felicidade.

Na volta, pegamos um caminho diferente e fomos margeando o delicado bosque, caminhando por entre folhas secas. Vimos o teatro da rainha, a gruta, o um laguinho, várias árvores com diferentes frutinhas de bosque, até pegarmos a fila para o trem. Foi lá que esperamos um bom tempo, pois os passageiros não desciam para que outros ocupassem lugares. Mas a organização francesa providenciou um trem inteiro totalmente vazio e voltamos.

Passamos pelo Grand Canal, vimos as árvores sendo podadas na parte de cima, sempre ouvindo explicações de uma gravação. Descemos no pátio do palácio e admiramos suas fontes, seu espelho d'água, as estátuas que representam os grandes rios da França. E, antes de regressarmos a Paris, tivemos contato com dois curiosos corvos, estes animais inteligentes que estariam presentes em diversos outros jardins...

Em Saint-Michel, pegamos nossa linha de metrô. Lotado. Muito lotado, quase como na Sé, em São Paulo, no fim da tarde. Mas com uma grandíssima diferença: em Paris as pessoas têm uma educação fora do comum, até para situações desagradáveis e tumultuosas. Todos os que nos esbarram dizem "pardon". Para levantar, para sair, para carregar algo, para ceder um assento, para ocupar um assento as pessoas são, antes de tudo, educadas. E isso certamente faz toda a diferença.

Como é outono, a luz do sol fica mais suave. Às 14 horas, todos os dias, invariavelmente temos a impressão de já ser tarde. Parece a luz de umas 17, 18 h no Brasil. E essa luz dá um tom pastel a muitas construções. É muito bonito.

Mais supermercado na volta...

15 maçãs: 2,30

1 baguete grande: 0,85

12 mini-waffles: 0,99

300 comprimidos de adoçante: 1,70

12 flans: 1,99!!!

salaminho fatiado: 1,80

margarina (250g): 0,84

Dia 15 - 28 de outubro


Dia cheíssimo em Paris.
O roteiro foi:
pela manhã: Louvre
Depois: Jeu de Paume, Jardin des Tuileries, Orangerie, Place de la Concorde, Conciergerie, Tours de Notre-Dame, Crypte du Parvis de Notre-Dame, Arc du Triomphe et... supermaché, rsss.
No Louvre, um mar de gente para ver a Vênus de Milo e a Monalisa. Não há como não ver a primeira, pois está em um local estratégico. A segunda se vai empurrado por uma moa de gente sem noção, de vários países do mundo, que segue as plaquinhas "La Joconde". No grande salão em que a Monalisa está exposta, o caos é total: flashes, sorrisos, empurra-empurra, poses para fotos com a Monalisa ao fundo. Sim, ao fundo, porque nem perto a gente chega. Credo.
A Vitória da Samotrácia me emocionou mais. E, graças a Deus, ela tinha menos fãs.
Dentre todas as gigantescas alas e salas do museu (são mais de 400 salões!!!), só conseguimos ver a arte egípcia, ainda assim, a partir de um determinado momento, tivemos de apressar o passo, ou perderíamos o dia todo lá. Foquei as obras principais, a estatuária, a arte funerária, o panteão de deuses, as múmias, a Nefertiti, o Escriba Assentado. No final, passamos pela arte clássica, etrusca, medieval, pintura italiana, ficamos encantados com vários Renascentistas.
É cansativo e os turistas não colaboram. Um mar de gente entrando e saindo, todo mundo se acomoda como pode em frente às obras, tira fotos com flash...
Depois, fomos ao Jeu de Paume, mas lá não aceitava a carte musée. Aproveitamos para conhecer o belo jardim des Tuileries, seus pôneis e suas alamedas. Entramos na Orangerie e o mergulho nos impressionistas foi amplo.
Depois, passando pela Place de la Concorde, fomos à Conciergerie, onde de imediato me veio uma pesada dor de cabeça. Foi só entrar no primeiro salão. A esfera é pesada: dor e sofrimento. Sim, muitos foram os prisioneiros, vários ilustres. Alguns deles estão lá representados, como Maria Antonieta. Aliás, ela é uma das figuras mais controversas, retratada em toda a França em vários locais. Voltei de lá com uma imagem até boa dela, acredita?
Você desce, passa por corredores que reproduzem os tipos de celas, mas o ponto alto é a cela em que Maria Antonieta esperou a morte. Lá está uma representação em tamanho natural dela, de costas para quem olha, lendo seu livro de horas, à espera da morte. É muito triste, mas ainda acho que é um local que deve ser visitado. O salão principal da Conciergerie é um excelente exemplo do gótico militar na Europa.
A fila que pegamos em seguida para subirmos às torres da Catedral compensaram a visão que se tem lá do alto. Os degraus são muitos... 300 e tantos... Tocar suas gárculas é inacreditável, assim como ver o sino Emmanuel, o mais famoso. Sobe-se de duas vezes. Primeiramente, até a torre da esquerda, por uma escada em caracol absolutamente estreita. Depois, passa-se pela parte frontal da catedral e sobe-se pela torre da direita até o alto.
Magnífica visão que se tem do alto. É imperdível este passeio.
Após descermos, fomos à cripta, sob o átrio da catedral. Local interessante, em que foram conservados os vestígios de uma cidadela galo-romana, antecessora da estimada Lutécia. Lá, na raiz dos primeiros séculos cristãos, estão os alicerces de muros e remanescentes da vida social e comercial, chegando até o século XVIII.
O Arco do Triunfo coroou o dia, apesar das suas também muitas e cansativas escadas em caracol. A visão não tem preço. Tem-se de subir ao Arco, imponente presente napoleônico aos soldados que venceram. Do alto, vê-se a Étoile, a estrela da qual saem 12 largas avenidas de Paris, dentre elas o Champs-Elysées, gloriosa e cara.
Do alto, a Torre Eiffel, piscando, mostrando sua beleza à lua cheia que estava à sua esquerda. O Sacré-Coeur estava ao fundo. Tudo foi lindo, sem palavras para explicar, como quase todos os lugares que o turista sensível consegue visitar nesta maravilhosa cidade.
Ah, quer saber mais preços de supermercado?
Creme dental: 0,90
6 croquetes de alho com ervas finas (para esquentar na frigideira): 2,50
patê à l'ancienne: 2,45 (havia muitos produtos árabes no supermercado próximo ao apartamento, então aproveitávamos os patês de grão-de-bico e berinjela)
2 filés de peito de peru: 1,38
1 pudim grande de arroz com caramelo: 2,19
4 tomates: 0,97 (são lindos, com cabinho verde e folhinhas)
2 dúzias de ovos: 2,99
4 sabonetes: 1,70
4 bananas nanicas: 0,86.
Em Portugal e França só encontrei bananas nanicas. Só uma vez vi banana-prata. Não vi outros tipos.

Dia 14 - 27 de outubro

(Foto: Ponte Alexandre III)

É fácil andar pelos metrôs. Paris tem 368 estações. Fora os RERs, fora os trens regionais, os ônibus...

Como circular em Paris de forma econômica?

É simples: você vai a qualquer guichê de metrô e explica em bom francês quantos dias ficará na cidade. Eu comprei o Navigo Découverte, a antiga carte orange, que vale por 6 dias. Na primeira vez, custa 23 euros. Na segunda, 17 euros (valor semanal). Isso lhe dá direito a usar quantas vezes quiser todos os metrôs, RERs, ônibus e trens regionais de ida (às vezes, tem-se de pagar a volta, mas em caso de cidades mais distantes).

Mas atenção: se você chegou a Paris no meio ou fim da semana, não vale à pena comprá-lo. O melhor dia é comprar na segunda-feira. Em caso contrário, prefira o Paris Visite.

O metrô tem 16 linhas!!! e uma estação fica a cerca de 300 m uma da outra!!! Os trens chegam e partem com um intervalo de 2 minutos, em geral!!! As estações são dos mais diferentes estilos, do "art nouveau" ao mais moderno. Há estações elegantes e mesmo aquelas com obras de arte, como a Louvre-Rivoli!!!

Anda-se muito sob Paris. Claro, pois para cobrir toda esta extensa rede há que se andar em muitos corredores e labirintos. Muitas vezes com algum artista tocando ou cantando pelo caminho.

Existem esteiras, como em Châtelet-Les Halles, e você, se não estiver com pressa, mantém-se à direita. Como em São Paulo. Aliás, quem conhece o metrô em São Paulo se vira em qualquer lugar.

No segundo dia em Paris, escolhi descermos na estação que saía aos pés da Ponte Alexandre III, sem dúvida a mais bela da cidade, com suas estátuas douradas, sua elegância, sua imponência. Ao fundo, o glorioso Les Invalides, com o tombeau de Napoleão.

Fomos aos jardins dos Invalides, seguimos para o Museu d'Orsay, onde compramos nossas Cartes Musée (64 euros cada para 6 dias e mais de 60 monumentos e atrações).

Além da vantagem do preço, a carte musée é útil em alguns lugares porque existe uma fila específica, bem menor, para seus portadores. Foi o caso do Museu d'Orsay.

Ah, onde compra? A carte musée pode ser adquirida nos principais monumentos e postos de turismo.

Sim, o Orsay é lindo, com seu maravihoso e grande relógio. Vimos muitas obras conhecidas pelos livros e vídeos As estátuas que remontam à mitologia greco-romana são esplêndidas. A seção de pintores impressionistas é riquíssima. O polêmico "A origem do mundo" também está no Orsay, arrancando risinhos dos turistas japoneses. Manet com seu "Almoço na relva" e a mulher nua que nos olha o tempo todo...

Do museu fomos à tumba de Napoleão, algo entre faraônico e megalomaníaco, mas indescritível, monumental, essencial! A grandiosidade de tudo impressiona.

Depois, fizemos uma rápida passagem ao Musée des Plans-Reliefs, ao Musée des Armes e uma seção a De Gaule. Ah, muitas escadas para descer e subir... Como por toda a França. Acostume-se.

Em seguida, descemos de metrô na rue de Rivoli, elegante, cosmopolita, cheia de lojinhas de bobeirinhas e souvenirs, entramos no Les Halles e depois na Saint-Eustache, igreja linda.

Continuamos pela Rivoli, passamos a Tour Saint Jacques em seu mimoso jardim, e fomos à Catedral de Notre-Dame. Lá, entramos sem querer pela "saída", e evitamos uma fila de muitas dezenas de metros. Eu fiquei decepcionado com a multidão de turistas que acaba quebrando o aspecto religioso do local. Só me redimi na última visita que fiz à catedral nesta viagem, quando presenciei um ofício religioso e havia menos turistas dentro do templo.

A visita às torres já estava fechada àquela hora. Corremos para a Sainte-Chapelle, ali pertinho, no Palais de Justice. É mesmo êxtase ficar no segundo andar (a capela gótica construída por S. Luís tem dois andares) admirando os vitrais do século XIII. Ela é etérea, é feérica. Hoje, existem cadeiras nas laterais para o turista se assentar e então viajar na arte e no passado.

A próxima parada foi na Conciergerie, mas ela já estava fechada.

Compramos um sanduíche grande (4 euros) que dava para duas pessoas. Fomos comê-lo ao lado do rio Sena, em uma escadaria, vendo os barcos de turistas passarem.

Pegamos o metrô na hora do rush. Descemos na estação Place Monge e fomos à charmosa Rue Mouffetard, com seus restaurantes, bistros, cafés... Na volta, uma passada ao ED (supermercado da rede "O Dia") rendeu boas compras de mais comida e guloseimas.

Vamos aos preços?

1 pote médio de sorvete de pistache: 2,09

1 pote de noisette (tipo nutela) com 750g: 1,35 (de graça, em comparação com os preços no Brasil)

pão de forma: 0,98

suco de grenadine: 1,54

1 lata de ratatouille: 0,89

4 potinhos de iogurte de soja: 1,39

4 potinhos de creme de caramelo: 1,62

1 pacote de gaufres (waffles): 0,79

2 pacotes de biscoito de chocolate: 1,39

1 caixa de quiche lorraine congelado: 2

6 knider ovo (estava em promoção uma série de bonequinhos da turma do Astérix): 4,39

Preços ótimos, viu?

Dia 13 - 26 de outubro



RENNES - PARIS





Levantamos às 5 horas da manhã...


Não havia horários mais tarde de trem para Paris a não ser 6:35 da manhã! Saímos do hotel de táxi (8 euros). Tomei um suco de laranja em pé, enfiei um pequeno croissant nobolso, mas na hora de comê-lo, ele veio com sabor de areia do Mont Saint-Michel, rsss. Em breve percebi que carregava um pouco do Monte dentro de mim.


Tempo de viagem até Paris: 2h10' min em TGV. Não precisa nem dizer que o trem era confortável, elegante, silencioso, chique... e tudo o mais. Fomos de primeira classe, pois nosso bilhete dava direito. Tomei um chocolate quente a bordo (2,50). Ah, o trem atrasou na chegada: monstruosos 7 minutos! E ainda tem quem reclame, acredita?


A Gare Montparnasse, em Paris, foi u choque para mim de tanta gente: um mar de pessoas bem apressadas, cheias de malas, arrastando-as como podiam pelas escadas (nem sempre havia escadas rolantes). Banheiro: 50 centavos.


Mas eu estava feliz. Muito. Paris é o sonho de muita gente. O meu era há muito tempo. Já fazia quase uns cem anos que não pisava por lá e achei tudo tão diferente, rss... (uma hora me peça pra contar essas coisas).


Fomos procurar o metrô, direção Porte Clignancour, linha 4. Um labirinto de corredores, escadas (rolantes, normais, ambas) e esteiras. Era cedo demais para chegarmos ao nosso apartamento, que ainda estava recebendo limpeza. (Ah, sim, em Paris alugamos um apartamento em Montmartre, aos pés do Sacré-Coeur... Nunca mais pago hotel quando for viajar mais de 5 dias para algum lugar. Posso lhe dar todas as dicas, é só me pedir).


Como tínhamos tempo, decidi que desceríamos na estação Saint-Michel, que tem várias saídas. Escolhi a que dava vista para a catedral de Notre-Dame. Fomos ao café Le Petit Pont, a primeira impressão parisiense, e pedimos 1 combo com 1 chocolate quente, 1 croissant e 1 suco de laranja (6,50 por pessoa).


Paris vale cada pedaço. Cada ruela. Cada viela. Cada escada. Cada ponte. Cada monumento. Cada olhar. Paris vale tudo. Não adianta: é a cidade mais bonita do planeta Terra, e pronto. Doa a quem doer. É linda, é elegante, é delicada, é chique, é exótica, é tudo ao mesmo tempo. Paris é o coração geográfico de minha vida. Sempre foi, desde que me conheço por gente. E andei por lá como se já a conhecesse de há muito. Cada passeio foi uma escolha cuidadosa entre paisagens que permanecem muito semelhantes por décadas e séculos.





Descemos na estação Château Rouge com a pesada mala (dividimos a mesma por comodidade). Eu tinha certeza de que aquela seria a última vez que arrastaríamos aquele trombolho pelas escadarias, corredores e ruas da Europa. Foi o que me consolou.


O apartamento ficava em um edifício construído em 1753, muito bem conservado, absolutamente parisiense, na mesma região em que filmaram "O fabuloso destino de Amélie Poulain".


Escolhi Montmartre por uma verdadeira atração que tenho por este lugar. Havia apartamentos mesmo com vista para a Notre-Dame, mas sabia que Montmartre seria especial.


Dentro do apartamento: aquecedores (até no banheiro), cozinha prática, com micro-ondas, fogão elétrico, água quente, torradeira, uma despensa previamente abastecida pelos hóspedes anteriores, tv a cabo, rosa na jarra, aparelho de som, uma decoração absolutamente parisiense... A água do prédio pode ser bebida diretamente da torneira (como em toda a França), e mais ainda lá, pois trata-se de uma água mineral vinda da colina do Sacré-Coeur, tão pura quanto a água dos Alpes, e igualmente deliciosa.


Foram 2 semanas vivendo como parisiense. Discretamente oculto de minha tarja de turista ao parecer, antes de mais nada, mais um imigrante. E foi essa discrição que tanto me apaixonou ao estar em Paris.


Ao entardecer subimos para vermos a cidade do Sacré-Coeur. Entramos na basílica, que é esplendorosa. Assentamo-nos nas escadarias du Sacré-Coeur e fomos admirar a velha cidade. É emocionante. A gente fica sem respirar, não sabe o que olha... Os céus entrecortados de aviões, com suas marcas de fumaça, e eu pensando: felizes os que cortam os céus de Paris.


Fazendo valer aquela expressão "mundo pequeno", encontramos nas escadarias um casal de amigos que conhecemos em Portugal.





Ah, souvenirs... Pra quem gosta, já vou avisando. Eles são caros na França. Existem umas ruazinhas no pé da colina do Sacré-Coeur repletas de souvenirs... e turistas. 11 chaveirinhos da Torre Eiffel, em metal prateado ou dourado, saem por 5 euros. É a única bagatela que existe. No mais, tudo custa na faixa de 3 euros (1 ímã de geladeira). Disso pra cima. Sempre.


Compramos um cartão telefônico para falar no Brasil por 7,50 euros. Mas é possível encontrar alguns por 5 euros. Dizem que dá para falar 45 minutos, mas acredito que seja menos.





Eu me senti mal ao ser perseguido por um imigrante africano no pé da colina, o qual queria me vender alguma coisa. Este é um truque que todos conhecem por lá, mas é bom enfatizar. Você está tranquilamente caminhando pelas ruas de Montmartre quando um simpático africano aborda você, amarrando algo em seu braço. Geralmente, uma pulseirinha, dizendo ser um presente. Depois, ele vai pedir dinheiro. 10 euros, 5 euros... etc. E a forma como ele e os amigos dele lhe pedirão dinheiro vai lhe fazer sentir constrangimento e medo.


De cara eu disse que não, não queria comprar nada, mas ele insistiu e foi atrás. Só escapei pegando o funicular para subir a colina.


Este tipo de comportamento com turistas é muito desagradável.


O susto foi compensado pela primeira visão da Torre Eiffel, que estava oculta à direita, atrás de uma árvore. Sim, gloriosa, porque peguei os 10 minutos a cada hora em que ela pisca prateada. "La vieille dame"...

(Foto: Sacré-Coeur)

Dia 12 - 25 de outubro


RENNES - MONT SAINT-MICHEL - RENNES


2 bilhetes de ônibus (ida e volta) para o Mont Saint-Michel: 44,40 euros


Dia que amanheceu com neblina forte em Rennes. 9 graus. Acordamos, tomamos o café da manhã e fomos para a Gare Routière (estação rodoviária), ao lado da Gare de Train. O ônibus sairia às 11:35). Quando chegamos, ninguém na estação esperando coisa alguma. Esperamos, esperamos, esperamos... Chegou uma chinesa perdida com quem tentamos trocar meia dúzia de palavras sobre o ônibus. Daí foi chegando aos poucos mais gente e consegui informação de uma senhora do sul da França (Tarbes), despojada e desinibida, que me disse que haveria 2 ônibus e conseguiria o lugar, sem problemas (não se compra bilhete antes). Daí indaguei o motivo da demora para o ônibus chegar. Foi quando ela lembrou que o horário de verão tinha terminado e ganhamos uma hora a mais!

Quando o ônibus chegou, formou-se uma enorme fila de orientais (quase a totalidade dos passageiros).

A paisagem de Rennes ao Monte, cortando a saudosa Bretanha, é belíssima, da ordem das mais lindas que já vislumbrei nesta encarnação. Campos de lavanda de um lado, campos de uma florzinha amarela do outro, nos cortejavam, quando não eram as árvores outonais com tons amarelados e avermelhados. Vacas, cavalos, gansos, plantações que pareciam de batata... De vez em quando, vilarejos com arquitetura bretã, cenário de filme, puro sonho.

Quando chegamos ao Monte, 1 hora e 20 depois, aproximadamente, o céu, ainda um tanto nublado, se abriu, e o céu sorriu para o mar, com aquela joia erigida em uma ilha que às vezes se une à terra: o Mont Saint-Michel. Sem dúvida alguma, o monumento isolado mais lindo de toda a viagem (claro, porque Paris é linda em tudo, no conjunto, imbatível). A primeira imagem que tive do Monte nesta vida eu jamais esquecerei. Tirou-me o fôlego. Emociona. É sem preço. Recomendo fortemente a todos os que forem à França que não deixem de ir lá.

Hoje, tudo é mais fácil com o TGV. Se você estiver em Paris, há um TGV que com 2 h e 10 minutos chega a Rennes, casando com o horário do ônibus, que sai de graça. Basta apresentar o bilhete do trem ao motorista. Vai e volta no mesmo dia. Imperdível.

Mont Saint-Michel: uma cidadela sobre um rochedo cercada de areia (pegamos a maré baixa, a maior da Europa), com uma abadia no topo, sua magnífica torre e seu São Miguel dourado sobre o ponto mais alto da torre.

Em volta, nos pastos, lindas ovelhas de rosto negro pastam honrosamente sua visão do Monte. Abençoadas foram.

Confesso: as lojas e restaurantes são caríssimos. Claro, só tem o que comer dentro dos lugares estabelecidos nas ruelas do Monte. Em volta não tem nada perto. Para se visitar a abadia, paga-se 8 euros. Não quis, definitivamente, tamanho o número de turistas apinhados em tudo quanto era espaço vazio dentro da tal abadia. Sobretudo orientais, com suas irritantes máquinas fotográficas, que tudo registram e nada veem.

Tínhamos levado lanche, mas fiquei com sede e paguei 2,50 euros por 1 água Evian pequena.

Sobrou muito tempo. Além de percorrermos as vielas, a igrejinha de São Miguel, admirarmos a bela estátua de Joana d'Arc, passarmos pelo cemiteriozinho, pela muralha, fomos contornar, pelo lado de fora, o Monte. Em alguns lugares a areia atola mesmo e há avisos de areia movediça. Foi lá, entre uma pedra e outra, que achei meu souvenir: uma pequena pistola d'água de menino... talvez um menino já velho há 100 anos... De onde teria vindo aquele brinquedo: de um francês bretão, normando ou dos garotos ingleses do outro lado do canal?

A cidadela é toda um retorno ao passado. O que tira o encanto é o extremo de turistas. Era domingo. Tente ir em outro dia. Há muitas escadas para serem subidas... e descidas, e kits de reanimação cardíaca em alguns pontos estratégicos. Vê-se isso em vários locais turísticos da França, onde se deve subir muitas escadas.

Foi lá no Monte, vendo o entardecer sob a linda bandeira tricolor sobre minha cabeça, que tive mais uma daquelas certezas íntimas - segurança funda - de que já estive tantas vezes por aquelas terras, cuja paisagem aliviou a estranha nostalgia que desde menino trazia comigo de um país que eu conhecia, mas no qual jamais pisara.

Dia 11- 24 de outubro


TOULOUSE - RENNES


Dia cansativo. Saímos de Toulouse às 7:54h. Tivemos de pegar um táxi até a Gare de Matabiau, pois era cedo demais, as ruas muito escuras e fiquei um pouco inseguro.

O trem baldeou em Nantes e chegamos em Rennes apenas às 16:16h. Oito horas e sessenta e dois minutos de viagem!!!

Era o primeiro dia de férias dos franceses. Era sábado! Daí eu digo: nenhum turista que compre um pacote turístico mequetrefe e caro de 5 noites em Paris (coitado!) terá experiências assim, que são, a meu ver, as que contam. Atravessei um bom pedaço da França até Rennes. Cortamos várias cidades importantes, vimos os franceses "in natura", em uma agradável confusão de famílias, crianças, adolescentes com pranchas de surf e skates, gatos dentro de gaiolas e muitos, muitos sanduíches e uma impossibilidade de se ir ao banheiro devido ao acúmulo de gente no chão dos corredores. O caos francês!, rsss.

Houve mesmo uma estação tão pequena em uma cidadezinha que os passageiros tiveram de descer no chão de terra, ao lado dos trilhos, pois o trem não coube inteiro ao lado da plataforma.

No tem, além da bagunça das meninas no corredor, que resolveram brincar de várias brincadeiras de meninas impróprias para trens lotados em movimento, vi belíssimas paisagens de outono com vacas, couves, canteiros de várias hortaliças, patos, gansos, cisnes... O interior da França é incrivelmente bucólico e organizado. Não se vê um só lugar de onde se diga: "que feio, como se pode morar aí?", como ocorre no Brasil.

Rennes é charmosa. Chegamos ainda com luz.

Vimos muitos turcos e gente do Norte da África. E, talvez pelo que me disseram em Toulouse e talvez pelo meu faro de morador de terceiro mundo, eles me deixaram inseguros.

Uma gentil senhora francesa que abordei na rua me informou a direção do hotel e bateu um papo comigo. Ela me disse que as pessoas estranhas na França que carregam um cão junto, como companhia, são as que realmente podem nos incomodar pois, se fizerem alguma coisa, a polícia não pode prendê-las, por conta do cão, que não tem nada a ver com a história!

E no fim ela afirmou:

- Somos um país de liberdade. É o preço da democracia...

Mas é realmente bela a democracia francesa que aceita com paciência tanta gente diferente, com hábitos incomuns, com valores muitas vezes opostos.

Saímos em Rennes, após deixarmos as coisas no hotel, para nos informarmos sobre o ônibus para o Mont Saint-Michel e comermos alguma coisa. Fizemos a besteira de entrarmos em uma casa de "kebab", onde vi no letreiro na porta alguns "combos" por preços muito em conta, por ser na França. Chegou até nós um pão (meia baguete) aberto, recheado de frango em cubo grelhado e acompanhado de katchup e batatas fritas - o nome disso era "brochette à poulet frites", por 9 euros para 2 pessoas. Confesso que só pedi pelo nome, não tinha visto antes o que e como era.

Aquele seria uma das muitas casas de "kebab" que eu veria na França. E para quem não sabe, "kebab" é o famoso "churrasco grego", que em São Paulo abominamos por sua aparência (e, muitas vezes, comprovação) de falta de higiene. O kebab também pode ser assado em espeto, intercalado por legumes. É prato típico da Grécia, Turquia e outros países mediterrâneos. O dono do bar chegou a servir um dos fregueses empurrando um arroz colorido "com as mãos", no próprio prato, e depois servindo.

Ah, achamos um supermercado Carrefour, quase na hora de fechar. Foi o que nos salvou. Compramos 1 litro de água pela bagatela de 17 centavos, 2 pacotes de biscoito por 1.80, 1 pacote de salame (0,85), 1 litro de chá (1,01), 1 lata de salada de frutas (1,31) e 4 potes de sobremesa (polpa de fruta pura)), por 0,97.
(Foto: imagem do centro de Rennes)

Dia 10 - 23 de outubro




TOULOUSE - LOURDES - TOULOUSE




Pegamos o trem às 10:11h para Lourdes. Chegamos às 12:12h, após pararmos em várias cidadezinhas (Lourdes foi a sétima parada). O dia foi lindo, sem chuva, sem vento forte. Do trem, víamos os Pirineus cobertos de neve, pequenas propriedades com plantações de milho, hortinhas, vacas leiteiras bem europeias (como as de desenhos animados), cavalos, patos, ovelhas... Algumas florestas...


Em Lourdes foi uma correria por conta do horário do trem de retorno. Queríamos voltar cedo para irmos ao centro de Toulouse ainda com a luz do sol para vermos a "cidade rosa".


O trem de volta seria direto e, portanto, um pouco mais rápido. Sairia às 14:04h e chegaria às 15.53h.


Lourdes é uma graça de cidade e o seu santuário é belíssimo. Fica em um vale, próximo a um rio pequeno. A gruta é bem exposta, fica no pé do santuário, em uma lateral, e lá eu senti uma emoção parecida com a que senti na Igreja de Santo Antonio, em Lisboa, ou seja, uma emoção pura, livre dos apelos do comércio. Um simples "estar com o sagrado". Isso basta.


Gostei mais de Lourdes do que de Fátima, talvez pela paisagem mais bonita e por haver uma pitoresca cidade em torno da qual se desenvolveu o santuário. Vi muitos italianos, sobretudo deficientes físicos, em peregrinação... e muitas freiras, algumas brasileiras.


O trem de retorno lotou de jovens e ouvi alguém dizendo que eram férias. Muitos viajaram de pé. Os assentos eram em espécies de cabines: 4 assentos de frente para outros quatro, em um compartimento semi-reservado. No nosso, havia 2 senhoras, 1 homem, depois entramos nós, mais 2 moças e 1 rapaz. Estranha sensação de "intimidade obrigatória", mas todos - como sempre, e em toda a parte da França - foram educadíssimos, gentis, prontos para orientar. Maravilhoso este meu querido povo. Maravilhosa essa gente alegre do Midi!


Depois passamos pelo centro de Toulouse: visitamos o Capitólio, com um confuso happy-hour em sua praça, a Ponte Saint-Pierre, vimos o Dôme de la Grave e pegamos o metrô St. Cyprien-République para voltarmos ao hotel.


O rio Garônne estava lindo, largo e manso, raso, lento...


Confesso que alguns daqueles imigrantes africanos me deixaram inseguro em certas partes de Toulouse, sobretudo perto da Gare de Matabiau. O próprio Asiz, o argelino com quem conversei na catraca do metrô na primeira noite em que cheguei, me advertiu.


Ah, o apelido de "ville rose"? Sim, sim, ele ainda vale. Mas não se se seria bem um rosa. Parece mais um rosa-atijolado, algo já puxando para um ocre/ alaranjado. Depende do sol, claro. Os tijolinhos das construções em torno da Praça do Capitólio da velha Tolosa me deram uma impressão de rosa fechado, meio encarnado. Para mim, este não é o rosa que me vem à cabeça quando alguém diz: "cidade rosa". Mas a cor é bonita. É belo e mesmo poético ver o sol lamber as paredes no fim da tarde e tudo ficar monocromático.


Mais visitas a supermercado, claro...


Aqui descobri um produto que precisamos no Brasil com urgência para os que infelizmente têm intolerância à lactose, como eu:


Sojasun (esta é a marca). Comprei sabor mirtilo. Trata-se de um iogurte. Ainda não temos nada igual no Brasil. Custa 1,74 com 4 potinhos.


Compramos também biscoito (0.94), 4 sabonetes (1,60), chá (com 25 saquinhos) 1.90.


Adorei um bolo de 800g, enorme, que custou 1,70.


Também vieram 180 g de presunto (jambon de Paris) por 2,06, 300g de leite em pó (vendido em caixa, custei a achar) por 2.09, pastilhas Vichy (1,15), 1kg de arroz (1,26), 500 g de pão de forma (0,61), 1 pacote de biscoito rechado de chocolate (0,94), 4 sobremesas de mação e morango (1,15), mais 4 potinhos de Sojasun café (1.65).


Daí vão me perguntar: quanto pão vocês compram! Mas não se esqueçam que um viajante econômico não vai almoçar e jantar fora, ok? Fazemos vários sanduíches e comemos enquanto conhecemos os lugares.
(Na foto, Santuário de Lourdes)

Dia 9 - 22 de outubro - parte 2


TOULOUSE - CARCASSONE - TOULOUSE


Langue d'Oc - Ah, esta segunda língua falada dentro dos metrôs é linda! Muito semelhante ao português (o idioma se chama "occitan", ocitano, que é mesmo o provençal, a primeira língua a surgir da fusão do latim com algum idioma "bárbaro". E foi o provençal, na Idade Média, que levou tantas contribuições ao português, ainda galaico em parte, devido às viagens dos trovadores. Que ancestralidade, que delícia saber que isso é vivo, que o provençal também deixou seus genes em minha língua materna.


Eu sei que escrevi pouco sobre Carcassone, mas ela vale cada centímetro pisado. É linda, preservada, tem uma esfera leve, uma aura sorridente. Uma Idade Média bonita, sim, é claro, apesar da perseguição aos cátaros.


Ah, no hotel a água quente acabou repentinamente. Neste caso, muda-se um botão no quadro de botões (rsss, um para cada coisa) para "on" e aguarda-se uma hora. Mas demorou... Aliás, demorou a noite toda para esquentar.

O sistema de aquecimento na França, sobretudo em hotéis e residências, tem dessas coisas. A água quente, que é útil em todas as torneiras na época do frio, acaba e daí não tem Cristo que nos faça tomar banho na água fria/ gelada. Por isso, os banhos tinham de ser rápidos, apesar da convidativa banheira em todos os banheiros dos lugares em que nos hospedamos.


Toulouse é uma cidade tranquila. Ah, sim, é preciso ter cuidado com os imigrantes do Norte da África, os pied-noirs, e com a região de Le Mirail/ Centre, onde eles são frequentes e ficam de olhos em turistas deslumbrados. Não há violência maior por lá. O máximo é baterem carteiras. A isso se chama de "pickpocket" na França. Não são todos os imigrantes, claro. A história entre colonizados e colonizadores se repete e ecoa suas consequências funestas a quem abusou. Mas a França é tolerante, é o país do respeito à individualidade, é mesmo a terra da liberdade.
(Foto: rio Garônne, que corta Toulouse...)

Dia 9 - 22 de outubro


TOULOUSE - CARCASSONE - TOULOUSE




Não conseguimos levantar cedo demais, até porque o hotel fica a 10 minutos a pé do metrô Arènes e a claridade é mais intensa apenas pelas 8 horas da manhã. Saímos umas 9:30 h do hotel. O café da manhã foi uma modesta sopinha que tinha trazido do Brasil... por acaso. Pena que não havia nenhuma padaria ou mercearia nas proximidades. Apenas rodovias, avenidas e prédios residenciais.


Pegamos o metrô, descemos na estação Marengo, onde um corredor nos levava à Gare Matabiau, que era a de trens.


Os vagões do metrô em Toulouse são mais estreitos do que os de São Paulo e nas plataformas existem portas que se abrem apenas quando o metrô para. Não existe plataforma aberta.


Compramos o passe Tribus - 1 journée, para 1 a 6 pessoas. Custou 4.20 euros. Isso dá o direito para de 1 a 6 pessoas usarem o mesmo passe durante 1 dia, por toda a rede de metrô.


O trem para Carcassone sairia às 11:36h. Como tivemos tempo na estação, fomos procurar um supermercado para comprarmos algo para comer. A primeira impressão de alimentação que tivemos na França (e isso se repetiria por toda a viagem) é que comer em padarias e lanchonetes é algo caro. Muito mais barato é comprar no supermercado.


No final da viagem, voltei com a sensação de que a diferença entre comprar no supermercado e comer fora, na França, é muito maior do que no Brasil, proporcionalmente.


Voltamos à estação, aprendemos a compostar os bilhetes naquelas maquininhas anãs, amarelinhas. É só introduzir o bilhete no lado certo e virá-lo gentilmente para a esquerda.


O trem era confortável, com aquecimento que vinha da barte de baixo para cima, e permitiu uma curta viagem agradável, passando por regiões agrícolas.


Para você ter uma ideia dos preços nos supermercados de Toulouse, aí vai:




6 caixinhas (individuais) de suco de laranja: 1,41


200g de salaminho italiano: 1.09


4 bananas nanicas: 1,05


280g de pão de forma (1/2 pacote, aproximadamente): 0,62


1 sanduíche natural de queijo e especiarias: 1,62 (compramos 2)


2 garrafinhas de água, com 750ml cada: 0,90


1 pacote de purê instantâneo de batata: 0,83


2 sopas instantâneas de legumes 1.02.




Os sanduíches e 2 dos suquinhos foram o café da manhã. Não se esqueçam que estávamos em um apart-hotel, mas na noite anterior tudo já estava fechado quando saímos para abastecer nossa despensa.


Carcassone é linda e pitoresca, mas sob chuva e frio não dá. Chegamos na cidade mais moderna, atravessamos uma ponte, seguimos por uma rua, no final viramos à esquerda, caminhamos um pouco mais... (uns 20 minutos de caminhada). E então conseguimos ver a Carcassone antiga no alto de suave colina, após atravessarmos uma ponte sobre um calmo rio com seus patinhos.


Conhecemos a cidade, mas sem o encanto que imaginávamos, devido à chuva. Visitamos suas ruelas, apreciamos suas estátuas expostas, vimos as dezenas de lojinhas (tão carinhas!!!). Assentamo-nos para tomar um café...


1 café + 1 chocolate quente: 3,40


1 cartão telefônico para ligar para o Brasil: 7,50


1 crepe com nutela: 2,50.


Ah, pra quem não sabe, o crepe na França é praticamente a massa de panqueca com recheio. Aquele que comemos no Brasil, que vem seguro por um palitinho, feito em uma espécie de máquina, é o crepe suíço, bem diferente.


Após a visita à cidadela, circundamos sua muralha, vimos as árvores cheias de frutinhas vermelhas que nos acompanhariam por toda a viagem...


Quando voltamos, passamos no Monoprix, um supermercado que tem em todo o país e que costuma ter bons preços e uma excelente variedade.


O segurança era português, e percebeu que éramos do Brasil quando conversei com meu amigo. Muito simpático, ele me disse que tinha se casado com uma brasileira, mas ele e a esposa estavam planejando ir para o Brasil, morar em Goiás... Estavam só fazendo um pé-de-meia. A atendente do supermercado (que ficava nos corredores para ajudar os clientes) era romena.


Todos os que me atenderam e me deram informações na França (até este dia, e por todos os demais) foram sempre educadíssimos, gentis e prestativos. Voltei deste amado país sem qualquer reclamação a respeito de mau atendimento.


No supermercado, querendo fazer economias dos euros, resolvi pagar no cartão de crédito (se eu tivesse bola de cristal, veria que no final das contas ainda voltaria com 1.200 reais para casa).


Mais um exemplo de preços na França:


1 pacote de roti porc cuit (comprei por engano, achei que o preço fosse uma coisa, mas era outro valor...). Era uma espécie de presunto de porco cozido. Custou 5.05. Achei caríssimo.


1 pão de forma (pacote grande): 0,89


1 lata de feijão: 0,69


1 lata de café solúvel com cevada: 1,70


500g de macarrão talharim: 1,76


100 comprimidos de adoçante: 1,05 (ah, não existe adoçante em gotas por lá...).


125g de sal: 0,61


420g de molho de tomate com manjericão: 1,24


poelée champêtre (cozido de legumes congelados): 1,47


10 ovos: 1,61


1 l de leite: 0,69


Sim, compramos isso tudo, enfiamos nas mochilas, pegamos o trem de Carcassone, chegamos a Toulouse, pegamos o metrô, descemos, fomos para o hotel onde preparei um jantar digno, rsss.


É muito prático o sistema ferroviário na França. Aliás, prático é falar com modéstia. É excelente, por isso não ficamos com preguiça de comprar tanta coisa, afinal, só teríamos de andar depois os 10 minutos até o hotel.


Ah, gastamos 2 idas ao banheiro (1,60).




Banheiros públicos na França


Na França tem de tudo: banheiro pago, não pago, banheiro onde paga se quiser. Este era uma cabine metálica, mas por dentro era um "banheiro turco". Sabe o que é isso? Ah, é uma coisa deprimente: o vaso sanitário é uma louça ao nível do chão com lugares para se colocar os pés. Muito desagradável. Eu já sabia que os banheiros públicos na França eram muito diversificados.


Em geral, os banheiros públicos masculinos não têm aqueles mictórios em que os homens ficam um ao lado dos outros. Acho muito interessante, pois evidencia um povo que realmente valoriza mais a individualidade do que nós. Uma outra coisa: há banheiros unissex. Nunca tinha visto isso, mas, em geral, em museus e outros lugares do gênero você pode encontrar banheiros assim. E tudo é muito natural. Você vai lavar as mãos ao lado de uma senhora sorridente, enquanto uma senegalesa entra em uma cabine e um francês bigodudo sai de outra. Tudo no mesmo espaço.


Na cidade de Paris, existem várias cabines nas ruas que são banheiros. Elas funcionam com uma moeda de 50 centavos e avisam se estão ocupadas ou não. Elas funcionam assim: a pessoa acaba de usar, sai da cabine e vai embora. A cabine se fecha. Daí demora um pouco para ela abrir de novo, porque automaticamente ela realizará toda uma limpeza: chão, assento sanitário, desinfecção. É muito bacana, apesar de não terem nenhum charme.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dia 8 - 21 de outubro


LISBOA - TOULOUSE

A manhã foi para acordarmos mais tarde, tomarmos café da manhã com calma e arrumarmos as malas. Meio-dia e meia pegamos um táxi e fomos para o aeroporto de Lisboa. O taxista, antes mesmo de nos ajeitarmos devidamente no carro, já advertiu, com falsa polidez: "favor não bater a porta". Chato, não é?
No aeroporto também presenciei uma portuguesa na área de checagem das bagagens que só faltou meter a mão na cara do senhor que se recusou a deixar os frascos de perfumes e material de fazer barba que tinham ultrapassado a quantia mínima. Ela realmente se destemperou e excedeu.
Naquela hora, eu já estava aflito e ansioso para deixar Lisboa...
O voo foi maravilhoso, uma hora e meia aproximadamente, sobrevoando uma Espanha nublada que descortinou, na altura dos Pirineus, suas nuvens para que a França se anunciasse.
Nunca esqueço, ó, deuses, o presente de ver minha amada França pela entrada dos Pirineus, a graciosa cadeia montanhosa que a separa das terras espanholas, cobertos de neve eterna em vários picos. Naquela hora, abri um sorriso e esqueci por completo as agruras das experiências em Lisboa. Esqueci-me da ansiedade do voo de avião, esqueci-me dos problemas.
As primeiras imagens, após os Pirineus, foram de uma colcha verdejante, em tons variados, de retalhos de pastos e plantações... Terra plana, linda e fértil, como é fértil a história e o sentimento que povoa o povo de meu querido país...
Que facilidade no aeroporto de Toulouse. Apenas pegamos as malas e já saímos, pela primeira porta. Tomamos um táxi até o hotel (22 euros) e nos alojamos em nosso apart-hotel maravilhoso, novo, elegante e prático. Uma cozinha encantadora, onde pude preparar jantar e café da manhã... Um banheiro incrivelmente bem bolado e a vista panorâmica da amável Toulouse, a cidade rosa.

Mas vamos a alguns detalhes práticos. Alguns hotéis da França (isso está se tornando lei) cobram a "taxa de habitação", um valor por dia de hospedagem. No nosso caso, deu 5,40 euros para 2 pessoas.
Quando saímos do hotel em busca do metrô, fomos por uma linda rua margeada por uma ciclovia, pela qual passavam pessoas bem agasalhadas, já no frio da noite do Sul outonal, mas sem preocupação nenhuma, como se a palavra "perigo" ou a palavra "violência" não existissem...

Porém, já eram oito da noite, tudo estava fechado, pois na época do frio as pessoas voltam mais cedo para suas casas. Foi por isso que o gentil argelino Asiz, que guardava a catraca do metrô, me aconselhou a não me aventurar pelo centro da cidade. Até porque - e ele bem lamentou - existem vários imigrantes da África que visam aos turistas desavisados. É o ato criminoso do "pickpocket", palavra usada por todo o país. Significa "batedor de carteira", talvez uma das mais graves violências naqueles rincões de paz e conforto.

Durante uma hora ficamos conversando em bom francês naquela catraca, ele de um lado e eu do outro. Todo o bate-papo começou porque não tínhamos moedas para comprarmos os bilhetes do metrô (não havia bilheteiro, apenas máquinas). E as máquinas não aceitavam notas. No final da conversa, quando ele já me admirava pela minha história e formação, ele foi lá me dizendo:
"pode entrar de graça, pois eu admiro pessoas como você que vêm de um país mais pobre, mas conseguiu estudar... eu não consegui, infelizmente...".
Mas recusei o convite. Fiquei inseguro em caminhar à noite pelo centro. Voltamos para o hotel, que não ficava assim tão perto do metrô. O frio piorava.
O que comer?
Sobrou-nos a alternativa de uma sopa instantânea que tinha levado do Brasil e de uma geleia de uva, que derreti e transformei em uma espécie de chá... Havia também um restinho de batatas chips. Foi o jantar e o café da manhã do outro dia.
Mas dormimos com a consciência justa, a felicidade de se estar em uma cidade mais amiga, mais alegre, mais Midi.
Dieu merci!
(Foto: Pirineus, na divisa da Espanha com a França, vistos do avião.)

Dia 7 - 20 de outubro


LISBOA - SINTRA - CABO DA ROCA - CASCAIS - OEIRAS - LISBOA


Ser tratado com dignidade é outra coisa. Há salvação para o tratamento que dão aos turistas em Lisboa. Claro, verdade seja dita. Foi este dia em que Lisboa obteve - graças a Sintra e ao educado guia - sua redenção comigo, antes de minha partida à douce France.


Tem de ir a Sintra! Tem. E ponto final. Cascais esquece. A não ser que seja verão e você seja muito de praia. Pra quem é brasileiro e tem praias à revelia, não vi nada de mais...


O dia começou com um toró de assustar. Ligamos oito horas da manhã para uma agência nova, que fazia o roteiro turístico que queríamos pelo menor preço (40 euros por pessoa com um lanche açoriano no final e entrada incluída na Quinta da Regaleira). As outras cobravam, em média, 78 euros! Ah, mas que agência especial é esta? Chama-se Cool Tour Lx. Fale com o Pedro (pedro@cooltourlx.com) antes de fazer qualquer roteiro na metade de baixo de Portugal e diga que eu que indiquei. Foi ótimo, foi perfeito. Foi decente. Fora que nosso passeio foi VIP, pois éramos os dois únicos turistas daquele dia a irmos para lá com eles. Fomos de carro, com explicações a mais e tudo...


Bom, para quem não sabe, Sintra é uma cidade montanhosa, rodeada por uma floresta úmida, quase tropical... dava pra confundir, às vezes... A meia hora de Lisboa! A cidade fica mais embaixo. Nela, podem ser comprados artesanatos, pode-se comer e beber com preços relativamente bons e visitar alguns museus (tudo pago, ok?). Mas nem pense em fazer Sintra por conta própria, como um guia de Lisboa que me entrevistou no castelo de S. Jorge quis sugerir. Ainda bem que não fui. Sintra pode ser acessada via trem suburbano, mas o trem vai deixá-lo na cidade, longe dos lugares legais, que são distantes e, com isso, você paga um ônibus local ou um táxi. E não fica barato. De maneira qué pela agência do Pedro tudo fica melhor, organizado e você é pego e devolvido em seu hotel.


À medida que se sobe, tem-se acesso a lugares muito bonitos.


O primeiro deles foi o Parque e Palácio Nacional da Pena. Ingressos a oito euros por pessoa. Foi o monumento mais caro que pagamos em Portugal (olha, na França um monumento a oito é até barato...). Existe um bonde para se subir o morro arborizado até o palácio (2 euros). Não vale à pena, é bem perto.

O palácio é lindo, todo delirante, cheio de estilos confusos e contrastantes. A adminsitração local, por ser estatal, é bem formal, e os vigias das salas do palácio têm a cara bem fechada. Sabe aqueles que ficam "discretamente" acompanhando seus passos enquanto você entra e sai das salas?


Se tiver tempo, pode caminhar pelas trilhas do parque, um lindo jardim-bosque.


Ao se rodear os caminhos de ronda do palácio, avista-se o medievalíssimo Castelo Mouro, colinas abaixo...


Sim, deve-se ir a Sintra e visitar o Palácio da Pena, mas este é o monumento que eles mais divulgam, deixando de lado outros que, por não serem estatais, ficam à mercê de divulgação própria. E este segundo é um deles, a Quinta da Regaleira. De todos os lugares em que visitei, este é o mais estranho, místico, esotérico, simbólico... Adorei, porque acho interessantíssimos estes assuntos. A sensação é que eu estava em uma espécie de parque de diversões para amantes de ciências ocultas, rsss. Recomendo fortemente que você o visite. O ingresso estava incluído no passeio.


O que há nessa quinta?

Bom, trata-se hoje de um parque-jardim repleto de esculturas, fontes, escadas, torres e até um... poço iniciático, que é descido por uma escada em caracol, até se ter acesso aos subterrâneos. Sim, existem vários túneis criados para que a pessoa tenha experiências sensoriais e espirituais diferentes. Por alguns deles eu consegui passar. Outros são 100% escuros. É intencional. Nem uma velinha para ajudar e dá um pouco de insegurança. Na descida do poço, passando por um labirinto de túneis escuros ou semi-escuros, atingi uma espécie de laguinho, onde nadava um patinho colorido. Este laguinho, com águas totalmente lodosas, tinha pedras distanciadas, sobre as quais se pisava para se atingir o outro lado. Uma coisa meio Indiana Jones... Além desses deleites, o local oferece uma capela lindinha, com mais túneis, rsss... Um Palácio, um verdadeiro quebra-cabeças de esculturas, portas, janelas, escadas, torres, escadas em caracol, portas misteriosas, imagens intrigantes... Fica-se exausto ao se percorrer tudo, como uma criança na Disney, mas é muito bom mesmo!


Depois, fizemos um passeio pelo centro de Sintra (há um Museu dos Brinquedos a 4 euros e um Palácio a 5 euros, mas não fui. Achei caro. Esse povo tá pagando a moda de cobrar tudo...). Em Sintra, compre algumas queijadinhas, que são famosas por lá, na base de oitenta centavos cada. Um chá e um "garoto" (uma espécie de café espresso maior) custam 1,60 euro ambos, para você ter ideia dos valores. Achei um bom preço para turistas brasileiros.


A próxima parada foi no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa, onde Camões dizia acabar a terra e começar o mar... Trata-se de um jardim no alto de uma falésia, de onde se avista uma paisagem maravilhosa. Há um marco no local, além de um restaurante com loja de souvenirs e um farol. Há roteiros que não incluem, por não considerarem interessante. Eu, pelo contrário, recomendo muito que visitem o Cabo da Roca. Vale a paisagem, vale a vegetação com suas florzinhas delicadas, valem os rochedos... Tem de ir e pronto.


A seguir, descemos a rodovia no sentido da praia do Guincho (famosa pelo surf e windsurf), que dava acesso a Cascais.

O que há em Cascais? Suas casinhas brancas, o Hotel Baía, uma praia minúscula e feinha no centro da cidade e alguns barcos. É local para ser visitado com calma, para se descobrir os prováveis encantos. No percurso Sintra - Lisboa são vistos muitos fortes, fortalezas, faróis... Mas nada arrebatador.


A derradeira paragem deste dia foi em Oeiras, mais especificamente em um bar-restaurante em um deque de uma baía para iates. Muito agradável, comemos um lanche açoriano: uma espécie de petit gateau mais rústico com algumas torradas e suco. Uma excelente ideia que este pacote oferece.


Pois é, gente. Como disse ao Pedro, o guia, esse passeio e ele é que salvaram a imagem quase que totalmente negativa que eu estava levando de Lisboa e de sua gente. O tempo todo em que estive na capital lusitana eu me senti deprimido e angustiado. Ora, sentia-me agredido pela grosseira das pessoas, ora pela impaciência das mesmas.


O fim do dia terminou com uma passada em frente ao café A Brasileira, com a estátua de Fernando Pessoa em frente, mas sem foto, nem nada. Já estava farto de Lisboa.
(Foto: Poço Iniciático da Quinta da Regaleira)









Dia 6 - 19 de outubro


LISBOA - ÓBIDOS - ALCOBAÇA - NAZARÉ - BATALHA - FÁTIMA - LISBOA


Ah, sim, isso é um pacote pronto. Fechado. Pago com antecedência no Brasil. Pelo amor do seu bolso, não faça isso! A melhor coisa é fazer um pacote no próprio local, pesquisando no hotel aqueles folhetos que as agências deixam nas recepções. Foi insegurança minha ao viajar para um país ainda desconhecido. Não sabia como as coisas funcionavam por lá e, para variar, as informações que obtive antes - por email - não foram as mais esclarecedoras por parte das agências portuguesas. Só por isso paguei. Um roteiro deste sai a 85 euros com almoço. Bobagem: você acha por 40, 48 euros sem almoço e gasta 10 comendo... ou leva seu sanduíche. Enfim... Vamos ao que interessa.


Meu objetivo era única e exclusivamente fazer um roteiro que fosse a Fátima, por pura consideração à banda católica da família. Imagina, eu ir a Portugal e não pisar no famoso santuário. Confesso que nunca tinha ouvido falar desses outros lugares, nem sabia o que encontraria por lá.


Valeu à pena? Sim. É bastante corrido, a guia fez o basicão para embolsar seus 120 euros (a média que um guia ganha por dia em Portugal), o almoço foi frugal... mas valeu sim.Conhecemos pessoas bacanas e os locais visitados foram interessantes.


Óbidos é uma cidade cercada em grande parte por uma muralha de um castelo. Daí já vale, para nós, brasileiros descastelados, a visita. Basicamente, a cidade tem duas ruazinhas, cercadas por casinhas brancas com floreiras e igrejas. Várias. Interessantes, geralmente com ênfase no barroco. Antes de se ter acesso à cidade, avista-se um aqueduto de 3km (Aqueduto da Usseira ou de Óbidos), mandado construir por D. Catarina da Áustria...


O castelo é em estilo medieval e confesso que nem soubemos se dava para entrar. A ênfase foram as muralhas ao redor da cidadela. Foi eleito uma das 7 maravilhas de Portugal. Aliás, visitei, mesmo sem saber, todas as 7 nesta viagem... (Vamos lá... Sei que ficou curioso: Castelo de Guimarães, Castelo de Óbidos, Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro de Batalha, Mosteiro dos Jerônimos, Palácio Nacional da Pena e Torre de Belém são os sete...). Nas ruazinhas, são encontradas várias lojinhas de artesanato com a famosa ginginha, um licor feito a partir de uma cerejinha que é esmagada.


O segundo roteiro do dia foi em Alcobaça, onde percorremos a cidade a pé por uns dez minutos até termos acesso ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, a primeira obra verdadeiramente gótica construída em Portugal. É lindo. Para quem gosta de arquitetura, tem de conhecer. O início do mosteiro data de 1178. Além do mais, em seu interior podem ser vistos e estudados os dois sarcófagos famosos: de D. Inês de Castro, a plebeia que se tornou rainha depois de morta, e de seu amado D. Pedro I, o Terrível (ou o Justo, como dizem outros). Não tem nada a ver com o nosso. Dê uma olhada nos livros de história, ok? Este D. Pedro nasceu e morreu no século XIV.


Em seguida, fomos para o vilarejo de Nazaré, à beira mar. Uma cidadezinha linda, cercada de tradições, de eternas viúvas cobertas de negro dos pés à cabeça, peixinhos sendo secados ao sol na praia e falésias coloridas ao redor da cidade. Almoçamos uma salada, queijinho de cabra, peixe à milanesa e um raso pires de arroz doce como sobremesa. Ah, sim, houve vinho, cafezinho, licor... A gente bebe tudo, já que pagou mesmo, rss.


No início da tarde, fomos a Batalha visitar o Mosteiro de Batalha (ou de Santa Maria da Vitória), mandado construir por D. João I por agradecimento à vitória na batalha de Aljubarrota. Seu início é de 1386. É um exemplo do gótico português tardio, também chamado de manuelino. Nas chamadas Capelas Imperfeitas, vê-se uma série de túmulos de reis portugueses, conhecido como Panteão de D. Duarte.


O ponto final do dia foi em Fátima, antes passando por uma espécie de "shopping center religioso" em que as pessoas que o desejaram puderam comprar todo tipo de souvenir religioso, inclusive para benzer no santuário. Fátima é um lugar agradável, isolado da cidade de mesmo nome. Ou seja: no santuário só existe o santuário. Todo clean, na cor branca, divide seu espaço entre a igreja em que podem ser vistos os túmulos dos três pastores (Francisco, Jacinta e Lúcia, que se tornou freira), a capela das aparições, rodeada por bancos externos em que ficam pessoas orando e o santuário do Sagrado Coração na outra extremidade do grande espaço aberto. Uma igreja enorme, devo dizer bem. Moderna e muito agradável.


Na volta, ficamos no centro da cidade. Tentamos procurar uma lan-house para usar internet. Foi um custo. Encontramos um café no qual, após algum consumo, podia-se usar os computadores. Não precisa nem dizer que, mais uma vez, não entendi as instruções para encontrar os benditos computadores e quase me estressei novamente com a dificuldade que os lisboetas têm em dar informações simples. Lamento. Mas não sou o primeiro turista a dizer isso... E o pior de tudo: eles têm coragem de dizer, com a cara mais deslavada: "acho que já te dei esta informação"...
(Foto: Santuário de Fátima)



domingo, 15 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dia 5 - 18 de outubro


Um dia estressante, por conta da fila no café da manhã no hotel, do "gerente" arrogante do serviço de alimentos e bebidas, a conexão da internet que não estava disponível na noite anterior...
Sabe aquela coisa de piada?
"Tem conexão de internet?"
"Tem... mas não funciona..."
Ora... ou tem, ou não tem...
A simpatia do bilheteiro do castelo de São Jorge, no alto de uma colina da parte antiga da cidade, compensou. Não havia desconto para professores, mas ele fez os dois bilhetes pela metade do preço, por consideração. Em contrapeso, encontrei duas senhoras mal humoradas no balcão de ingressos do claustro da Sé de Lisboa. Lá não teve conversa, nem sorriso. Desconto pra ninguém.
O pior estava por vir: o escândalo da bilheteira da estação fluvial do Cais de Sodré, que foi a gota d'água para eu não mais ter vontade de voltar a Lisboa.
Antes de subirmos ao castelo, o primeiro roteiro do dia, quase pegamos um tramway para Belém, pois achávamos que ele fazia o percurso que procurávamos. É tudo muito sem informação em Lisboa, sem placas, sem sinalizações para turistas... Você tem o tempo todo de ficar procurando o motorista e perguntar pra onde vai, onde fica, quanto tempo dura... Muito chato isso.
Resolvemos subir andando pela Alfama, entre ruelas, vielas, escadas e roupas penduradas em varais... Cansa bastante a subida costurada.
O castelo vale à pena. É bonito, é agradável, a vista é linda e, ainda por cima, conheci a famosa (para mim) Torre do Tombo, algumas vezes falada nos estudos de Literatura Portuguesa, hoje chamada Torre Ulisses. Era lá que por muito tempo os documentos importantes do reino foram mantidos. E as oliveiras, árvores maravilhosas, carregadas de azeitonas, as quais pisávamos tantas vezes... Custei a acreditar. Azeitonas pretas e verdes... Que dó, rsss...
Tiramos também fotos do bairro da Mouraria, célebre nos fados, vimos mais uma vez o Tejo ao fundo, competindo com outros turistas por um lugar na murada do castelo para uma boa foto...
Fizemos em seguida a Sé de Lisboa, visitei a igreja e a cripta da igreja de São Francisco de Lisboa, seu museu sacro (uma das igrejas mais abençoadas da Europa, com certeza), e pegamos um dos tradicionais bondinhos (eléctricos) amarelos para descermos até a praça do Rossio. Ainda deu pra dar uma espiada na igreja de São Domingos, procuramos a internet e, enfim, fomos lanchar próximos à margem do Tejo, no Cais do Sodré.
As igrejas de hoje, com exceção a de S. Francisco, me deixaram deprimido, juntamente com as tantas grosserias das pessoas... Ainda assim, recomendo que visitem o claustro da Sé, pois é muito interessante, cheio de escavações...

Quem for a Portugal, fique de olho no Pingo Doce. É uma cadeia de supermercados que existe em todo lugar. Tudo ótimo, de preços bons, produtos diferentes, com grande variedade. Por favor, desconsidere a rudeza dos portugueses que forem atendê-lo nos balcões deste supermercado e pense nas gostosuras que comerá... Sim, eu também fui mal atendido nos supermercados!

Eu fiz toda a lista dos produtos que comprei nos supermercados, mas tá ficando muito chato digitar tudo... Prefiro deixar algumas sugestões, para as pessoas terem ideia, em vez de escrever tudo o que comprei. Assim, ninguém também me chamará de guloso.

Só para terem uma noção... Um pacotão de batata chips no Pingo Doce sai por 49 centavos! Muito mais barato do que no Brasil; 4 pães de sal (que eles chamam de "brasileiros") custam 64 centavos; 1 kg e 600g de peras custou 59 centavos!!! E por aí vai...

Castelo de S. Jorge: 5 euros
Claustro da Sé: 5 euros (não vale, em comparação com o castelo, mas tem de ir...)
Museu da Ig. de Sto. Antônio: de graça!
Barca ida e volta, atravessando o Tejo: 4,24 (para 2 pessoas). Fomos até uma localidade pertencente à cidade de Almada, onde um homem tocava muito mal uma gaita de foles... Que tédio... Demos uma voltinha e pegamos a barca de volta...
(Foto: uma das torres do castelo de S. Jorge)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Dia 4 -17 de outubro


Na noite anterior chegamos à Lisboa. Pegamos um trem confortabilíssimo, com serviço de bordo, aquecedor, fazendo uma média de 200 km/h... Porto - Lisboa. Duas horas e meia depois, lá estávamos nós, na estação Apolônia, em uma cidade que se mostrou muito, mas muito diferente mesmo do Porto... Se eu soubesse o que me aguardaria, teria ficado mais no Porto, local de onde senti muitas saudades...
A começar pela chegada, quando descemos de metrô na estação Marquês de Pombal e fomos arrastando a mala de rodinhas por entre ruas escuras e desertas, sem ninguém sabendo informar onde ficava nosso hotel, o Jorge V, a 3 quadras de onde estávamos. Vi, sim, um homem estranho com um cachorro vindo em nossa direção (depois me disseram que estes são os mendigos perigosos da Europa... os que andam com cães...). Vi muita coisa. Até taxista, que em Lisboa não faz corrida curta nem que se pague em ouro...
Dormimos em um quarto um pouco melhor do que o do Porto, mas com banheiro minúsculo. A TV era melhor, mas os programas de mais qualidade eram as novelas brasileiras (da 8 e das 6, a Paraíso)...
O café da manhã era melhor do que o do hotel do Porto... mas, uma estranha rotina nos aguardava. É que o salão do café não tinha número de mesas e cadeiras suficiente para o número de hóspedes! Assim, todos os dias fazia-se uma fila, na qual se aguardava pelo menos 15 minutos para se conseguir uma mesa, limpa às pressas por um estressado garçom. O mais patético da história é que exatamente ao lado do salão de café, havia um salão de TV, separados por um biombo. O salão de TV possuía amplas poltronas, um aparelho televisor gigantesco e... quase ninguém assistindo. Muita falta de inteligência, a meu ver, deixar os hóspedes em situação tão constrangedora no café da manhã para, por outro lado, colocarem uma sala absurdamente desnecessária e tão grande logo ao lado. O pior foi o dia em que encontrava um prato sujo atrás do outro, e ainda por cima molhado. Veio até mim um rapaz que parecia ser o gerente do local e me disse que não havia nada sujo. Daí mostrei para ele uns 2 dos numerosos pratos sujos e úmidos. Ele, com cara de tacho, mas irrelutante, ainda argumentou: "calma!". Pois naquela hora ele se flagrou brasileiro. Brasileiro, e já grosseiro. Aprendeu logo, né? Pois é... Por essa e outras eu não recomendo a ninguém o hotel em que fiquei em Lisboa.

No nosso quarto dia na Europa, fomos à região de Belém. Pra começar, pegamos o autocarro (ônibus) no sentido contrário e ninguém nos disse nada... Aí começaram os atropelos e mal entendidos em Lisboa... Ônibus 747... e duas senhoras turistas alemãs de quebra, meio que "dependuradas" em nossas informações... Uma delas bem chata, quase arrogante... livramo-nos logo delas assim que descemos na região de Belém...
Daí fizemos o seguinte roteiro:
- Monumento dos Descobrimentos;
- Torre de Belém;
- Mosteiro dos Jerônimos;
- Museu Nacional de Arqueologia...
Depois, no final da tarde, fomos à Praça do Rocio com Thiago, um brasileiro que conhecemos no ponto de ônibus. Aliás, esta tal praça não teve nada de interessante, ao contrário do que diziam os guias impressos. Pelo contrário... muitos imigrantes e pessoas "sem ocupação definida" se aglomeravam, num burburinho suspeito. Por lá jantamos... Comi um bacalhau a Braz na Rua dos Correeiros, local em que os ciganos romenos ofereciam haxixe aos turistas europeus na cara dura! Foi lá também que encontrei um mendigo bilíngue, na faixa de uns 30 e poucos anos... dizia-se carioca da gema, e levantava uma perna com uma cicatriz a todos, pedindo uma ajuda em euros, ou mesmo um cigarro...

Realmente Lisboa não me reservou experiências muito interessantes, mas tenho de confessar que a Torre de Belém valeu a resmunguice da capital lusitana. Antes dela, no Monumento dos Descobrimentos, subimos de elevador para apreciarmos a linda paisagem, os iates do cais dos que têm grana, a ponte que cruza o Tejo e seu modesto Cristo Redentor do outro lado... E, ah, o Mosteiro dos Jerônimos do outro lado de nosso mirante, maravilhoso, alvo, impávido.
A Torre de Belém é experiência única. Local para se deliciar com a subida a todos os andares, entender como ela era, para que foi criada, e o que acontecia de importante lá dentro. Que monumento magnífico! Demoramo-nos muito nela.

Aliás, há muitas escadas em caracol para subir até o alto da torre... como muitas outras existiram por toda a Europa... Chegamos a subir mais de 700 escadas de uma só vez em um dos dias de visita a Paris (contarei mais adiante)...

No Mosteiro dos Jerônimos, passando pela casmurrice da vendedora dos bilhetes - que achava que eu, por ser professor brasileiro de um estado que ela não conhecia!, não merecia entrar de graça -, respirei fundo e me entreguei ao mosteiro. Belo, gótico, exótico, com suas "gárgulas" quiméricas e sua maravilhosa igreja. Esplendor, delírio e encanto ao mesmo tempo. Foda-se a casmurrice desses lisboetas, Deus meu, pois meu passeio vale bem mais do que isso... Nós, brasileiros, pagamos caro para visitar a Europa. Aliás, pagamos quase 3 vezes o que comemos e compramos. É tudo muito sensato: um café a 2 euros sai a quase 6 reais. Não tenho coragem... Daí não podemos nos estressar com gente infeliz...

Eu digo hoje: tem-se de ir a Lisboa (não precisa se hospedar na cidade) para se visitar a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos e o Castelo de São Jorge. Isso se faz em um dia. Depois, você pode cair fora e ir curtir Óbidos ou outro lugar de gente mais... espairecida.
(Foto: Torre de Belém ao crepúsculo)